domingo, 16 de maio de 2010

Academia da Ribeira de Muge - Aldeia de Marianos

Um "verso" recolhido em Marianos, que retrata a vida comunitária da aldeia. Pressente-se uma voz colectiva, em que a partida de um grupo de três rapazes para a Guerra de 14-18, foi cantada pelas mulheres.


Recolha efectuada junto de Jesuína Borrega, iletrada, nascida em 1927, Marianos.

Aldeia de Marianos,
Rodeada de tristeza,
Já te falta a mocidade,
Falta-te a maior riqueza.

Três separações que houve,
As três deixastes abalar,
A flor da mocidade,
Já me cá vai a faltar.

Muitas mães choram, choram,
Pelos seus queridos filhinhos,
À despedida lhe deram,
Abraços, muitos beijinhos.

Filhos do meu coração,
Quem lhes pudera valer,
Antes que eu queira não posso,
Este caso resolver.


De salientar que as raparigas da ribeira de Muge, de pobres que eram, para enviarem uma foto para os namorados, maridos, que estavam na guerra, em França, pediam o vestido emprestado ao fotógrafo.

Rapariga de Marianos

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Academia da Ribeira de Muge-O dia da Espiga

Mas não pense o estimado visitante deste blog, que as proibições e interditos em dia de Quinta-feira de Ascensão, o facto de não se trabalhar, era negativo, no contexto social da época. Não. Tinha coisas positivas? Tinha-as e de que maneira.

Eram as mesmas pessoas que se recusavam a trabalhar, as que aproveitavam estes dias para passear no campo.

Oiça só. O Dia da Espiga

Academia da Ribeira de Muge-Quinta-feira de Ascensão


Hoje, Quinta-feira de Ascensão, algumas frases que recordam vivências, ditas por mulheres da Ribeira de Muge:

Em Quinta-feira de Ascensão davam o leite. Ainda não era manhã já os cachopos iam todos aí por esses cabeços fora com a garrafinha na mão, à procura da pinguinha do leite, nas casas dos lavradores.

"Era um dia santo tão grande, que havia uma hora que nem os passarinhos iam ao ninho.

A minha mãe no dia de Quinta feira de Ascensão nem me deixava esgravatar no chão. Dizia que era pecado.

Na Quinta-feira de Ascensão, quem não come carne nem leite, não tem coração.
Depois aconteciam canções cheias de interditos, como a que a Academia da Ribeira de Muge recolheu em Paço dos Negros:

Clique para ouvir: Quinta feira de Ascensao

sexta-feira, 7 de maio de 2010

O "Pórtico" da vergonha e da propaganda negativa

Numa breve incursão pela NET, encontrámos diversos sítios onde podemos ler o que consideramos um embuste pernicioso para Paço dos Negros.


Existindo o complexo do Paço dos Negros da Ribeira de Muge na sua quase integralidade: o pórtico, a capela de S. João Baptista, diversas salas e salões, uma azenha, a própria Cerca do Pomar real, o pátio, tudo isto a merecer, isso sim, ser recuperado e dignificado com materiais nobres, consideramos que jamais se viu, responsáveis concelhios parecerem empenhados em rebaixar e negligenciar tanto o seu património histórico como no concelho de Almeirim.

E a quem, teimosamente, continua a interessar este embuste, se é o próprio portal da Câmara que divulga a mentira, que parece ser aumentada pela cópia e pelo plágio?

Apenas o pórtico ainda marca um símbolo da História de Almeirim que continua a desafiar o tempo e a pedir que a sua imagem não se perca no esquecimento.
http://www.cm-almeirim.pt/almeirim/Concelho/Historia/OPacoDosNegrosDaRibeiraDeMuge.htm

Do antigo Paço do século XVI, resta o pórtico que dava acesso ao pátio, coroado pelo escudo real.
2080-640 FAZENDAS DE ALMEIRIM
http://estilosdevida.rtp.pt/rtp/ruinas-do-paco-real-dos-negros-locais-a-visitar-almeirim-paco-dos-negros-fazendas-de-almeirim-640-1.html

Do antigo Paço do século XVI, resta o pórtico que dava acesso ao pátio, coroado pelo escudo real.
Paço dos Negros
2080-640 FAZENDAS DE ALMEIRIM
http://www.lifecooler.com/portugal/patrimonio/RuinasdoPacoRealdosNegros

Pórtico de Paço dos Negros - Do antigo Paço, construído no séc. XVI, apenas resta a magnífica portada que daria acesso ao pátio. in "Folheto Turístico", Região de Turismo do Ribatejo
http://www.ribatejo.com/ecos/almeirim/ampatrimonio.html

Património cultural e edificado: Pórtico de Paço dos Negros.
http://www.europamoraaqui.ludicom.pt/dvd/works/santarem-e.b.faza.his2.pdf

Pórtico de Paço dos Negros – Almeirim. Foi erigido no ano de 1512… http://www.jornaldasautarquias.com/pages/31/index.php?page=cultura_vfx

Edificado num espaço tipicamente originário, resta apenas deste atraente local do séc.: XVI, o pórtico e o próprio nome de Paço dos Negros,
http://www.distritosdeportugal.com/santarem/fazendas_almeirim/index.htm

Pórtico de Paço dos Negros
Na Raposa, a 13km do centro, encontramos os restos do Paço refeito por D. Manuel I, no século XVI, precisamente em 1512, atestado pela carta do Rei ao seu escudeiro Diogo Rodrigues. Sobrou uma magnífica portada que daria acesso ao pátio…
(Neste, se põe o Paço na Raposa, por outro lado põe o Convento da Serra na freguesia de Fazendas.)
http://www.agenda.pt/iframe.php?subcat=ALMEIRIM

Na Raposa, a 13km do centro, encontramos os restos do Paço refeito por D. Manuel I, no século XVI. Sobrou uma magnífica portada
http://www.inportugal-tourism.com/visitaralentejo.htm#almeirim

Destaque para a Igreja Matriz, o Pórtico do Paço dos Negros
http://www.pintolopesviagens.com/pdf/2010/carnaval_pascoa.pdf

Necessário é que se termine de vez com estas aberrações, que nos envergonham.
 

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Folk lore


Hoje vamos falar um pouco do Festival de Folclore que se realizou no Concelho de Almeirim.

Foi interessante. Foi pena não haver ninguém sensibilizado para explicar ao público, resumidamente, a origem, o significado, o ambiente social e cultural de onde provinha cada grupo.
Assim o público parece um tolinho sem verdadeiramente saber o que está a ver. Folclore assim, bem podia passar por um circo. E é isto que faz da palavra folclore, por vezes motivo de risota. Ou não será assim?

Gostei muito da Ucrânia, mas achei-a muito artificial.

Sem ser conhecedor das culturas da Polónia e da Lituânia, gostei de ver a teatralização, a beleza, a sedução, a vida, das suas danças. Sente-se que ali está uma cultura profunda e ancestral a ser apresentada.
Parabéns ao Rancho de Benfica.


Folk lore. Folk quer dizer povo, nação, família; Lore significa estudo, conhecimento, saber. Folk-lore ou Folclore quer dizer toda a sabedoria popular estudada e tratada cientificamente.
Nele se incluem a música, a dança, as histórias, as lendas, os provérbios, os costumes, etc. É isto que a Academia da Ribeira de Muge, pretende constituir. Dignificar a cultura de um povo.

Dou a ouvir aos visitantes deste blogue, uma “nova” música da Academia da Ribeira de Muge, recolhida em Paço dos Negros. Existindo noutras regiões, ela sofreu uma transformação e adaptação à idiossincrasia do povo desta região, pelo que é bem notório o cunho da Ribeira de Muge, mormente no Refrão ligado ao trabalho em Paço dos Negros e na região, a apanha da azeitona. Noutras terras fala de marinheiros. Ainda naquele acrescente de Vira, com uma frase muito própria dos rapazes, a fazerem-se ao piso: “o teu papá é meu sogro”:

Gravação do primeiro ensaio.
Clique para https://www.dropbox.com/s/aidcbnxovb85e76/A%20chita%20da%20minha%20blusa.mp3?dl=0



domingo, 2 de maio de 2010

Santo António de Cadoiços


Trecho de mapa de Mário Saa

São conhecidos os famosos concheiros de Muge, de épocas pré-romanização.
Para Mário Saa, investigador, a Ribeira de Muge é o traçado onde assenta o célebre itinerário romano de Antonino Pio, sobre a qual estabeleceu uma das conclusões essenciais da sua obra, “As Grandes Vias da Lusitânia”: a tese de que o Itinerário XIV de Antonino, assentava na margem direita da ribeira de Muge, em toda a sua extensão.

Mas será este território da ribeira de Muge apenas romano?

São conhecidos os famosos concheiros de Muge, anteriores à romanização.
Mário Saa atribuiu o nome de Per[a]briga às villae de Vila Longa, junto da foz do Muge, e Aritium Pretório ao cimo.
Este traçado, defendido por Saa, é o único que satisfaz simultaneamente as condições postas pelo Itinerário de Antonino e Mapa de Ravena:
Mede a distância de 61 quilómetros, o que corresponde às primeiras 38 millium passum do Itinerário de Antonino, de Porto Sabugueiro, até Aritium Praetorium (Água Branca), bem como os restantes troços dos referidos mapas.

Neste percurso, vemos que a cada troço de cerca de 12 milhas (19 km), uma distância ideal, se situa um ponto de apoio à estrada.
Partindo de Porto Sabugueiro, ao km 19, o Paço dos Negros da Ribeira de Muge, estratégico, onde foram encontradas moedas romanas, e outros achados; ao km 39 chegamos à Estalagem; ao km 61 Água Branca, o dito pretório.

Outros topónimos: A 7,5 km os Caniçais (da Rainha), A 13 km, as Ferrarias, com o seu Cabeço de Ferro e estação ao Ar Livre, classificados como Necrópole. Foram aqui recolhidos materiais de vários períodos, nomeadamente Mesolítico, Idade do Ferro, Romano e Medieval.
Mais a norte, a 17 km, temos a Ponte Velha e a velha passagem da Ribeira, que já foi denominada Ponte do Bispo, ao km 18; confundindo-se com o local de acesso à ponte romana na via Santarém Évora. Ao km 46 temos Folgas e ao km 51 a Estação, ao 53 Cadouços.
A coroar este percurso da ribeira de Muge, ao cimo da ribeira, o referido por Saa, Cevo de Muge.

Como se vê, vetustos caminhos e topónimos que nos sugerem algo como velhos trilhos de passagem de caminhantes, apoio e descanso de viajantes, repasto (cevo) de gados.

Cadouços, ao cimo da Ribeira de Muge. Santo António de Cadoiços, em Mário Saa.
Procurámos o significado de tão estranho nome.

Moisés Espírito Santo, na sua obra, “Fontes Remotas da Cultura Portuguesa”, num estudo da origem dos topónimos de localidades portuguesas, dá-nos o significado de Cadoiços, kadosh – Santuário –, na língua Ugaritico-Cananita, falada na península ao tempo dos Fenícios.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Ritual de Trabalho - Lorenço

Nos dias de calor, no canto das mulheres, ressoavam, entre súplicas à Senhora do Castelo, uma súplica, que vem de tempos imemoriais. De tempos anteriores à romanização, ao tempo da língua Ugarítico-Cananita, falada na península no tempo dos Fenícios. E o que nos diz o Professor Moisés Espírito Santo, (meu professor), no seu livro "Fontes Remotas da Cultura Portuguesa".Lourenço, Lhrsm, laarassim, que significa "esconjuro". Reparem como aquela mulher da ribeira de Muge, faz um esforço para se recordar do nome pelo qual os seus ancestrais clamavam por uma réstia de vento, para de alguma maneira esconjurar o sol, nas horas em que o sol abrasava os corpos, no trabalho de sol a sol.

Clique: Vai te sol