sábado, 11 de fevereiro de 2017

Dom Sebastião e o Paço da Ribeira de Muge

D. Sebastião


Muitas são as histórias do rei D. Sebastião nas caçadas, nas coutadas de Almeirim e da Ribeira de Muja, conforme documentos coevos, e como o sugerem os relatos de fugas a D. Catarina, sua avó, para o seu paço preferido, durante as suas longas estadias no paço de Almeirim. Desta vez, aos 17 anos, estava o rei D. Sebastião em Almeirim desde 21-12-1571, e como nos diz a carta de 10-02-1572, do cardeal a Dona Catarina que estava em Enxobregas, o reizinho que já andava a congeminar Alcácer-Quibir, passou alguns dias no Paço da Ribeira: «elRey meu sor esta muito bem. não se lhe deve dizer algua cousa que dê algua sospeita. E elRey meu sor esta nos Paços da Ribeira e não a de vir senão amanhã a noite. E também esta para ir ver V. A. logo na entrada da coresma.» (A. Simancas, Estado, legajo 390, f. 88, citado em Joaquim Veríssimo Serrão, Os itinerários de D. Sebastião, 1568-1578).

Mais uma vez, nunca é demais recordar a nossa história, neste aniversário desta estadia, documentada, este blog quer recordar esta data, de algum modo desagravando os atentados que vem sofrendo este Paço e a memória dos que por aqui passaram, por políticos que não respeitam o património, a história e a nossa cultura.

Rainha D. Catarina 

Portal do Paço dos Negros e capela de S. João Baptista ao fundo.

sábado, 14 de janeiro de 2017

Apenas uma sugestão de quem conhece o terreno.

Estão a ver aquele abrigo de paragem de carreira lá ao fundo? Pois saibam que não mora ali ninguém, muito menos que ande de transporte público. (uma outra vantagem é de que está a cerca de 300 metros da paragem seguinte, e assim haveria uma melhor distribuição no terreno).


E para chegar lá? Estrada estreita, sem passeio, altas velocidades... Uma aventura temerária para chegar lá.

Já agora veja-se o acesso ao abrigo. Não é para coxos.

Porque não colocar um abrigo (este não, um novo), a cerca de 100 metros, na confluência com a rua Vale João Viegas, de onde podem captar passageiros? Veja-se abaixo. Espaço não falta.









E este, na mesma rua general Humberto Delgado.

Antes de colocarem estas grelhas, em 2016, era um mar de água, de 20 cm de profundidade. Impossível chegar lá.
Também este basta mudá-lo cerca de 80 metros mais abaixo, na confluência da rua das Ciprianas, para junto da Extensão de Saúde. Espaço não falta.
E será que a própria rodoviária não lhe interessa captar clientes?

Espera-se que nas obras que aí vêm, há eleições, e as obras nas ruas desta terra, foram em 2005, 2009, 2013, a Câmara tenha isto em conta em 2017, que esta rua bem precisa, e já se vê ali o estaleiro.



















































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segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Uma das grandes cantadeiras da Ribeira de Muge

Deixou-nos hoje uma das grandes cantadeiras da Ribeira de Muge: Leonor Florêncio. Não morreu, ficou connosco através da sua voz.





Clique para ouvir: Baldoninha.

 https://dl.dropboxusercontent.com/u/4453889/Baldoninha%202.mp3

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Actas do colóquio sobre a realidade dos moinhos de vento portugueses


Índice

  • Nota Prévia
  • Objetivos do Colóquio
  • Programa do Colóquio
  • Mesa de Abertura
  • Os moinhos de vento no distrito de Aveiro, por Armando Carvalho Ferreira
  • Moinhos com Novos Ventos, por Fátima Nunes
  • Os Moinhos de Vento na Região da Ribeira de Muge: o labor do vento em terra de moinhos de água, por Samuel Rodrigues Tomé
  • Personalidades institucionais presentes



Encomendas para academia.xiv@gmail.com 

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Homenagem a Frazão de Vasconcelos

Aproveitando a homenagem a Frazão de Vasconcelos, o primeiro que viu a importância do quinhentista Paço Real da ribeira de Muge, mais um pequeno/grande passo para o reconhecimento da História e fundação de Paço dos Negros, e da importância que este paço teve no século XVI, no auge da gloriosa História de Portugal, e pode vir a ter nesta época do turismo.



quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Um tributo da Academia a Frazão de Vasconcellos


A Academia Portuguesa da História (APH), representada pela sua secretária-geral (a Prof. Doutora Maria de Fátima Reis), estará presente na homenagem a Frazão de Vasconcellos promovida pela Academia Itinerarium XIV da Ribeira de Muge, no próximo dia 1 de dezembro, às 15 horas, no Paço Real da Ribeira de Muge (Paço dos Negros - Almeirim). 

Frazão de Vasconcellos foi o primeiro académico que estudou o Paço Real da Ribeira de Muge, e publicou um artigo sobre o mesmo da revista Brasões e Genealogias, em 1926. A Academia Itinerarium XIV assinala os 90 desta publicação dando a conhecer, em Paço dos Negros, quem foi Frazão de Vasconcellos, uma vez que é uma personalidade praticamente desconhecida aqui. 

Frazão de Vasconcellos foi membro da Academia Portuguesa da História, e a Prof. Doutora Maria de Fátima Reis proferirá uma palestra intitulada "José Frazão de Vasconcellos na Academia Portuguesa da História". 

Esta será, sem dúvida, uma oportunidade ímpar para conhecer melhor este vulto de cultura nacional, que além do Paço Real da Ribeira de Muge houvera publicado também um estudo em 1924 onde abordava o Convento de Nossa da Serra, também no concelho de Almeirim.  

A sessão terminará com um momento cultural "Crespo com Trio de Cordas". Um tributo à cultura popular. 

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

160 anos, a homenagem de um ferroviário.



 Do livro Histórias Ferroviárias.

O dia da Inauguração do Caminho-de-ferro


Se este livro recorre, de certo modo, a aspectos algo caricatos ocorridos com ferroviários, o certo é que faz jus ao dia da inauguração do primeiro troço de linha, entre o Cais dos Soldados e o Carregado, a 28 de Outubro de 1856 em que, apesar da solenidade do dia, logo proporcionou a primeira história grotesca para ser contada aos vindouros.
Eis o que, destoando da boa imprensa da época, “tudo correu sobre rodas”, encontramos nas “Memórias da Marquesa de Rio Maior”, sobre o acontecimento histórico:
"Vou narrar o que me lembra do solene dia da inauguração que, enfim, chegou…
Como estávamos de luto pelo falecimento de minha querida Avó, minha Mãe não quis ir ao banquete do Carregado. Mas foi comigo para um cerro fronteiro à estação de Alhandra ver a passagem do comboio em que meu Pai devia tomar lugar…
Murmurava-se insistentemente que a ponte de Sacavém não poderia resistir ao peso… Esse terror, conjugado com o atraso enorme, punha os nossos corações em sobressalto, no pavor de que se tivesse dado uma catástrofe.
Finalmente, avistámos ao longe um fumozito branco, na frente de uma fita escura que lembrava uma serpente a avançar devagarinho. Era o comboio!
Quando se aproximou, vimos que trazia menos carruagens do que supúnhamos. Vinha festivamente embandeirado o vagão em que viajava El-Rei D. Pedro V.
O comboio parou um momento na estação, de onde se ergueram girândolas estrondosas de foguetes; vimos El-Rei debruçar-se um instante e fazer-nos uma cortesia; meu Pai, alegremente, acenou-nos um adeus rápido. Tudo passou como uma visão (...). Só no dia seguinte ouvimos meu Pai contar, com aquela "verve", que lhe era peculiar em certas ocasiões, as várias peripécias dessa jornada de inauguração.
A máquina, escusado será dizer, das mais primitivas (parecia um enorme garrafão), não tinha força para puxar todas as carruagens que lhe atrelaram; e fora-as largando pelo caminho. Algumas, de convidados, nos Olivais. O vagão do Cardeal-Patriarca e do Cabido ficou em Sacavém; mais um, recheado de dignitários, ficou ao desamparo na Póvoa. – Creio que se o Carregado fosse mais longe, e a manter-se uma tal proporção, chegava lá a máquina sozinha, ou parte dela.
Foi pelas alturas da Póvoa que meu Pai passou para a carruagem real na qual chegou ao Carregado, onde assistiu aos festejos, e onde pôde comer lautamente, porque o banquete era farto e também porque…passaram muita fome os que ficaram pelo caminho. Esses desprotegidos da sorte, semeados pela linha ao acaso das debilidades da tracção acelerada, só chegaram alta noite a Lisboa, depois de ousadíssimas aventuras, que encheram durante meses os soalheiros oficiais. Até andou gente com archotes, pela linha, em procura dos náufragos do Progresso.







Como o povo cantou a morte de D. Pedro V


Foi D. Pedro V o monarca que inaugurou a era dos caminhos-de-ferro em Portugal. Jovem rei, muito querido dos portugueses, junto de engenheiros e operários percorrendo a linha, visionando os trabalhos, afincadamente tinha concorrido para esta inauguração. Morreu jovem, aos 24 anos. O seu funeral realizado no dia 16 de Novembro de 1861, cinco dias após a sua morte, foi uma grande manifestação do amor do povo para com o seu amado rei. É da história que centenas de milhares de pessoas choravam à passagem do cortejo fúnebre. É das crónicas que ilustres positivistas, como Herculano, o choraram.
Através de uma canção, perdida entre o povo simples de uma remota aldeia do concelho de Almeirim, Paço dos Negros, canção que tive se não o privilégio de a resgatar da morte, ao menos o prazer de a gravar e de a dar a conhecer neste livro, vislumbra-se o mesmo povo que, tão intensamente sentiu esta perda, vibrou com o moderno meio de transporte, de tal modo associou o rei aos tempos de progresso futuros que adivinhava que, mesmo na morte, quis cantar D. Pedro V perenemente associado ao comboio.
Remontará esta canção ao ano de 1861, ano da morte do fundador dos caminhos-de-ferro em Portugal:
Quando o comboio bateu
Três pancadas na estação
Já morreu D. Pedro V
Neto do rei João

Neto do rei João
Filho do imperador
Já morreu D. Pedro V
Já vai chegando o vapor

Já vai chegando o vapor
Com as bandeiras arvoradas
Com as bandeiras de luto
Só lhe falta as encarnadas

Só lhe falta as encarnadas
Para dar vivas ao povo
Já morreu D. Pedro V
Já lá vem o comboio novo

Já lá vem o comboio novo
Já lá vem ele a apitar
Já morreu D. Pedro V
Vem a mortalha a chegar

Vem a mortalha a chegar
Aceita-a devagarinho
Já morreu D. Pedro V
Vem o caixão no caminho.

Nota: É cantada.

PS. Quando o comboio bateu/Três pancadas na estação, tratar-se-à, de uma metáfora, à laia das pancadas de Molière, para dizer da importância do D. Pedro V na ferrovia e da sua prematura morte logo ao "bater das pancadas", pois o funeral deu-se em Lisboa e ainda não havia na cidade outras linhas.