sexta-feira, 8 de abril de 2016

NOVE DE ABRIL MEU AMOR - BATALHA DE LA LYS

Perfaz amanhã, nove de Abril, 98 anos que se deu a famosa batalha de LA LYS. A nossa admiração e homenagem aos corajosos soldados portugueses. 

 Manuel António-Paço dos Negros, um dos muitos expedicionários em França.

“Verso” decerto criado, in loco, no próprio dia 9 de Abril de 1918, dia da Batalha de La Lys, retrata bem o desânimo, mas também a coragem de um soldado (que desconhecemos o nome). Foi-nos deixado por Francisco Maria, de Paço dos Negros, em manuscrito. Cedido por seu neto Samuel Tomé. (O mote é nosso, pois que está implícito nas décimas).


NOVE DE ABRIL MEU AMOR - BATALHA DE LA LYS

[Ao escrever-te estas linhas
Só chora o meu coração
Porque as palavras são minhas
Somente as letras não são.]

Nove de Abril, meu amor
Triste data em que ditei
A carta que te mandei;
Ó [minha] adorada flor
Descanso da minha dor
Fatalidades daninhas
Não pensas nem adivinhas
Quanto eu sofro minha querida
Estou entre a morte e a vida
Ao escrever-te estas linhas.

Numa horrorosa batalha
Após um grande cansaço
Fui ferido e perdi um braço
Numa chuva de metralhadora
Foi-se nossa esperança;
Falha, ou acaso maldição
Pois já por minha mão
[Era] para te [pedir] em casamento
Do meu triste sofrimento
Só chora o meu coração.

Olha leva a minha mãe
Muitos beijos e carícias
Diz que de mim tens notícias
Que estou vivo e estou bem;
Depois engana também
Minhas pobres irmãzinhas
Inocentes coitadinhas;
O sentir-te como tu te sentes
Diz-lhe [que] não és tu que mentes
Porque as palavras são minhas.

Enquanto a minha [alma] desvanece
Arranja um namorado
Que um pobre mutilado
Futuro algum te oferece;
Todo o nosso amor esquece
Fica para mim a paixão
Guarda para recordação
Esta última cartinha
Junto às outras, porque é minha,
Somente as letras não são.

Do livro Romanceiro da Ribeira de Muge.

quinta-feira, 7 de abril de 2016

Convite

Com a devida vénia, ao Diário Digital, da parte do moinho do Fidalgo, Paço dos Negros, Almeirim, aqui vai o nosso CONVITE, para as comemorações do Dia Nacional dos Moinhos Abertos:
A Academia Itinerarium XIV tem o prazer de convidar V. Ex. para a Sessão de Abertura do Dia dos Moinhos Abertos, no próximo dia 9 de abril, às 15.00, no Moinho do Fidalgo (complexo do Paço Real da Ribeira de Muge - Paço dos Negros - Almeirim).
Nesta sessão será descerrado o Cartaz Oficial dos Moinhos Abertos 2016, assim como inaugurada a exposição temática "Cereais da Ribeira de Muge: do Canteiro à Mesa". 
De igual modo, estende-se o convite às "Conversas no moinho com.... Sónia Colaço, sobre «A valorização do Património Ambiental Ribeirinho»", que terá lugar no domingo, dia 10 de abril, às 16.00.

A Academia Itinerarium XIV vai participar nesta grande iniciativa deste fim-de-semana! Já estamos com o turbo do "modo moinhos" ligado!
O Dia Nacional dos Moinhos comemora-se com os “Moinhos Abertos” na quinta-feira e no fim de semana, quando mais de 300 destes espaços em todo o país…
DIARIODIGITAL.SAPO.PT

segunda-feira, 28 de março de 2016

Dia dos moinhos abertos

Programa do Dia dos Moinhos Abertos 2016 no Moinho do Fidalgo (Paço dos Negros – Almeirim)

 

A Academia Itinerarium XIV da Ribeira de Muge vem pelo presente meio anunciar a programação do Dia dos Moinhos Abertos 2016, a desenvolver no Moinho do Fidalgo, em Paço dos Negros (Almeirim), nos próximos dias 9 e 10 de abril de 2016, das 15.00h às 18.00h. Sendo dos poucos engenhos a nível nacional, senão mesmo o único, que participa nesta iniciativa e não está funcional, e não sendo possível coloca-lo a trabalhar, haverá uma programação de atividades a desenvolver, por via a dinamizar este engenho centenário. A saber: 

  • Sessão de abertura, no sábado dia 9, às 15.00h, com o descerramento do Cartaz Oficial dos Moinhos Abertos 2016.

  • Exposição “Cereais da Ribeira de Muge – do Canteiro à Mesa”, integrada no tema anual da academia – A Cultura Popular. Aqui pretende-se mostrar todo o caminho dos cereais, nas suas três fases fundamentais: a produção agrícola, a transformação do cereal no moinho e a sua utilização na gastronomia local. A exposição versará não só objetos, como também fotografias. Esta irá estar acessível no período de abertura do moinho, referido acima. 

  • No domingo, dia 10 de abril, às 16.00h haverá no moinho uma sessão de “Conversas no Moinho com… Sónia Colaço, sobre A Valorização do Património Ambiental”. Sónia Colaço, bióloga formada pela Universidade de Aveiro, irá trazer ao Moinho do Fidalgo uma conversa ligada à temática da proteção e conservação da natureza.

O Dia dos Moinhos Abertos é uma iniciativa de âmbito nacional, que conta em 2016 com a sua 10.ª edição. É promovida pela Rede Portuguesa de Moinhos, e desenrola-se no fim-de-semana mais próximo ao Dia Nacional dos Moinhos (7 de abril). Tem como principal objetivo colocar abertos e visitáveis o maior número de engenhos no mesmo dia em todo o país. 

A Academia Itinerarium XIV participa nesta iniciativa pelo terceiro ano consecutivo, com o Moinho do Fidalgo, localizado no complexo do Paço Real da Ribeira de Muge. Este moinho, cuja data de construção exata desconhecemos, mas que terá cerca de cem anos, é um dos poucos da Ribeira de Muge que não se encontra totalmente abandonado, tendo sido palco de alguns eventos da academia além deste dia.



quinta-feira, 24 de março de 2016

Recordações de Quinta-feira-santa

AS BRINCADEIRAS

A Festa e o Sagrado de Transgressão

Dependentes de uma agricultura cujos métodos de exploração eram rudimentares, a mourejar do sol-fora ao sol-posto, as pessoas na aldeia vivem muito ligadas à Natureza. Existia uma sacralidade cósmica na relação das pessoas com a Natureza. A própria festa em comunidade rural, onde a agricultura de subsistência convive com o pequeno assalariato agrícola, por vezes sendo estas categorias assumidas pela mesma pessoa, decorre em função dos tempos sociais e do calendário religioso.
As Brincadeiras, ajuntamento anual, desfile de cultura popular, aparentando ser um mero encontro profano, mais não era que a criação, o reconhecimento de um tempo e um espaço diferenciados. O espaço temporal em que decorrem os festejos torna-se, para o povo, um espaço inscrito no tempo, tempo que é um tempo cíclico, inviolável, que aguardam ano após ano. O espaço físico sendo um espaço secular é para estas multidões rumorosas e festivas ocupado como um espaço simbólico sagrado. Povo habituado ao sofrimento, quando não à fome, sendo dois meios-dias de jejum, não há lugar sequer para a comida e a bebida, muito menos os seus excessos. Era assim criado um tempo e um espaço fortes em que as cantigas e os jogos campestres são claramente os elementos aglutinadores do grupo social que é a aldeia.
São pois estes rituais festivos campos de significação pelos quais a aldeia se comunica e se relaciona. O tempo da festa é vivido como um tempo mítico, o regresso a um passado primordial e imaginário, como que uma evocação e imitação de todos os que os precederam, rompem com as preocupações da vida quotidiana. As recordações de festas passadas e a expectativa das que hão-de vir, são memória e desejo, no qual as pessoas se sentem felizes.

Cantava-se e brincava-se sem parar. Um dos jogos era A Biloa.
Um grupo jovens, raparigas e rapazes, normalmente eram duas raparigas com as mãos agarradas fazem um arco. O restante grupo, em fila, agarrados pelos ombros, com a mãe à frente, vão passando, sucessivamente, por baixo do arco, enquanto cantam. Ao chegarem junto do arco, imploram, cantando:

Eu peço ao senhor barqueiro
Se me deixava passar
Tenho filhos pequeninos
Não os posso sustentar.

As duas raparigas que fazem de barqueiro, respondem enquanto a fila vai passando:

Passará não passará
Mas algum cá deixará
Se não for a mãe da frente
Há-de ser o filho de trás.

Perguntam, em segredo, ao último da fila, que impedem de passar: queres o sol ou queres a lua? Ou: queres a laranja ou o limão?, etc. Consoante a escolha, vão-se colocando, ora de um lado, ora do outro.
No final os cada grupo, agarrados, fazem o jogo da corda queimada. Ganha o grupo que conseguir arrastar o outro.

segunda-feira, 14 de março de 2016

A Ribeira de Muge no Dia dos Moinhos Abertos

Academia Itinerarium XIV adere ao Dia dos Moinhos Abertos
A Academia Itinerarium XIV da Ribeira de Muge, na senda 
da valorização do património local do eixo Raposa-Paço 
dos Negros-Marianos (Almeirim), nas suas mais variadas 
vertentes, procedeu pelo terceiro ano consecutivo à 
inscrição do Moinho do Fidalgo no Dia dos Moinhos Abertos. Esta é uma iniciativa nacional, promovida pela Rede 
Portuguesa de Moinhos, e que em 2016 assinala o seu 
10.º ano consecutivo. 
Em 2015 foram 327 os engenhos que estiveram abertos 
para esta atividade, tendo sido o Moinho do Fidalgo o único participante da parte sul do distrito de Santarém.
A programação será divulgada oportunamente, sendo 
enquadrada no tema definido para 2016: o Ano da Cultura Popular. Para já, segue o cartaz nacional desta iniciativa.
Nota ainda que o Relatório de Atividades de 2015 da 
Academia Itinerarium XIV, foi aprovado em reunião de 13 
de março, relativo ao desempenho prestado por 
esta entidade ao longo do ano passado, nas suas mais 
variadas iniciativas.

Nota: Com a devida vénia ao blog de Samuel Tomé.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Até 1975 esta região da Ribeira de Muge pertencia à diocese e patriarcado de Lisboa. O dia da S. Vicente foi até aos anos 50 do século 20, dia santo de guarda. Com direito a filhoses e mesa melhorada e um grandioso baile. 

Muitas coisas ficaram da cultura desse tempo.

A quem não jejuava na véspera de S. Vicente:


S. Vicente não perdoa a são nem a doente, nem a mulher parida de três dias.


Começava neste dia o Entrudo e as cacadas.


- No dia de S. Vicente, já se engana toda a gente! diziam.



Os jovens iam de noite, de porta em porta. Lançavam pedras quentes para dentro das casas, colocavam bonecos de palha encostados às portas, posicionavam-se embrulhados em lençóis a meter medo às pessoas.



Até à quaresma era esta a linguagem, rude:


- Queres ir e mais eu?


- Aonde?


- Beijar o cu ao conde.






- Já que me enganaste, com toda a delicadeza, vai bardamerda mais a tu’ esperteza.





quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Conversa entre amigos e lançamento de livro.

Conversa entre amigos sobre o Natal da nossa terra e as nossas memórias 

E ainda «Versos - o Romanceiro da Ribeira de Muge»"


É este o mote para a última iniciativa de 2015 da Academia Itinerarium XIV. A realizar no próximo dia 20 de dezembro, às 15.00h, no Paço Real da Ribeira de Muge (Paço dos Negros - Almeirim). Um pouco ao estilo de uma conversa sobre "o antigamente", como se passava o Natal aqui, algumas estórias caricatas que aconteciam no Dia de Natal, entrelaçada com poesia e narrativas recolhidas junto das pessoas que aqui viveram e vivem. Algumas destas serão contadas pelos próprios protagonistas ou autores. 

Mas como o espírito natalício impele a que haja um dar e um receber, pretende-se que quem nos visite fique não só a conhecer o Natal da Ribeira de Muge, mas também que nos dê a conhecer como era o seu Natal antigamente e como é hoje. Assim, o convite é que venham também partilhar o vosso Natal com todos nós. 

Dentro deste espírito de informalidade e de conversa, será apresentado o livro "Versos - O Romanceiro da Ribeira de Muge", da autoria de Manuel Evangelista, que reúne poesia e narrativas populares recolhidas pelo autor ao longo de vários anos que se dedicou ( e continua a dedicar) a estudar a cultura popular da Ribeira de Muge. 

A Academia Itinerarium XIV é constituída por um grupo de cidadãos de Paço dos Negros, e tem como objetivo a promoção da divulgação do património, história e etnografia deste local.