domingo, 29 de agosto de 2010

Custódio Castelo em Almeirim

Memorável o concerto de Custódio Castelo, ontem, em Almeirim. Genial.


Com Cristina Branco em Almeirim, Ana Moura em Coruche, Custódio Castelo no Monte da Vinha, a meio caminho, é esta zona, hoje, uma das mais inspiradas para o fado.

Quando ele falou na taberna onde se cantava o fado, no Monte da Vinha, naquele paraíso natural, que o viu nascer, e que ele, criança, por lhe não ser permitido estar, se escondia a ouvir, veio-me logo à memória a taberna, e o ambiente, os quais estão nesta fotografia, da própria taberna.

Taberna do Monte da Vinha, anos 60

Falou no Joaquim Cego, que tocava acordeão. Está na foto. Era um artista. Pena que se tenham extraviado todas as cassetes em que ele gravava as coisas de sua autoria.

Escapou uma, que nos dá uma imagem daqueles serões de cantadoria de fado:

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Mulheres da Ribeira de Muge - Recordar é viver

Após mais de 40 anos que deixaram de cantar, duas mulheres recordaram os tempos em que se cantava no trabalho: fosse para esquecer a fome, os maus tratos, fosse para mostrar a msua felicidade, as suas aptidões para o canto, o certo é que se cantava todo o dia, e não era vergonha cantar.

Sem qualquer ensaio prévio, saiu este
desafio que poderia acontecer entre diferentes ranchos.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Marianos e Marianes

Conhecida na região é a “Lenda da barraca de pau” como dando origem ao nascimento do lugar de Marianos. Uma velha, feia e má (como convém), que era a dona de uma hospedaria de passantes que no antanho ali se albergavam, que se aproveitava da situação de isolamento, e da pernoita frequente dos ourives, para os roubar, por vezes matar, enterrando-os ali. Que existia um local onde nem as ervas nasciam.
Nas nossas investigações na Ribeira de Muge, aparece por vezes Marianos, a partir do início do século XVIII, em documentos os mais variados, como casamentos, baptizados, enterros na Paroquial de Raposa, por vezes na capela de S. João Baptista do Paço dos Negros.


(T Tombo microfilme 1506).



Guilherme Tiago do Couto, médico em Almeirim na primeira metade do século XIX, na sua "Breve Notícia de Almeirim", ao referir várias localidades a propósito dos montados do concelho, e numa sequência descendente, ao longo da ribeira, menciona: Marianos de Cima, Marianos de Baixo, Pêro Pez, Paço dos Negros, etc.

Em o mapa anexo, do século XVIII, Montarias de Santarém, contemplando uma e outra margem, aparecem duas Marianes na margem direita. Sequencialmente: Pêro Pez, Queimado, Marianes, Marianes, Almotolias, Mouta das Corvas, Vale Flores, etç.




É este Pero Pez, o Casal Moreira, como no-lo confirma o trecho do documento anexo, Torre do Tombo Santarém:



«Nota: Refere este documento pertencer Pero Pez à freguesia de Benfica. Um caso a investigar, este hiato temporal da freguesia de Raposa?»


UMA QUESTÃO: Dados os escassos 200/300 metros que vão de Casal Moreira (Pêro Pez) à actual Murta, ficando Marianos de Baixo e Marianos de Cima no meio, e vendo o mapa do século XVIII, seria esta Marianos de Cima a actual Murta, bem como o território até cerca das Palhas?

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Academia Itinerarium XIV - Ribeira de Muge


Convite

Esta Academia convida os habitantes de Paço dos Negros e também localidades vizinhas, a fazerem parte de uma das suas secções:  Folclore: canto e dança; Coro das mulheres da Ribeira de Muge, à capela ; Teatro; Pesquisas etnográficas; Museu.




Esperamos por todos os que sentem que têm algo a dar à sua terra e à sua cultura. Compareça à quartas-feiras, pelas 21 horas, no Paço Real da Ribeira de Muge.

Tira, um pequeno casal, junto a Marianos, que nos deu esta pérola.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

PDM - Paço dos Negros

Alguém me sabe dizer para que serve aquele círculo em volta do Paço?

Como foi passível pôr a igreja no cruzamento da rua Vale João Viegas com a do Paço?

Sem comentários.


Trecho PDM Paço dos Negros - Almeirim

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Cultura ancestral

Do concelho de Almeirim é talvez Paço dos Negros a única que conseguiu conservar vivo, algo das suas mais fundas raízes.
Local isolado, privilégio de reis e cortesãos no século 16,  manteve a memória das pavanas, das galhardas e das mouriscas, com que na Sintra de Inverno se desenfadavam.

Deana Barroqueiro, magistralmente, dá-nos uma visão desses folguedos no tempo de D. Sebastião e de sua avó a rainha D. Catarina. (Leia D. Sebastião e o Vidente).

Será esta música, conservada em Paço dos Negros, uma herdeira desses tempos gloriosos da realenga Almeirim e do Paço da Ribeira de Muge? Pensamos que sim.

E hoje? Quando sabemos que houve gente aqui na terra que tinha vergonha de mostrar esta dança?

Clique para ouvir:       Dança dos Fidalgos

Carta onde a Rainha D. Catarina faz mercê aos bailadores que em Almeirim bailaram a Mourisca.


domingo, 27 de junho de 2010

Parque de Merendas de Paço dos Negros. Lindo.


Entre este desprezado moinho e a ribeira irão bem mais de 100 metros.


E que tem este terreno que foi há largos anos oferecido à Câmara, pelo sr. Manuel Cipriano,  para nele ser construído um Parque de Merendas?
Resposta: Erva.


Como o terreno fica em leito de cheia, aqui vai uma sugestão à Câmara que evitará a plantação de árvores em terreno inundável e aproveitará  a cultura genuína da terra:

A construção de sombreiros,  palhotas de pau a pique e bungalows com os materiais originais da ribeira, utilizados pelos negros que habitaram o paço.

Espero que esta sugestão de princípio de um parque temático, como diz o povo, não caia em saco roto e muito menos que seja um lançar de pérolas a porcos.