segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Panorâmica do Paço Real

Vista aérea do Paço Real da Ribeira de Muge.
Muito maltratado, por sinal. Mas ainda a tempo de uma boa recuperação.

Fotos de Marcos Evangelista


domingo, 4 de janeiro de 2015

A arte da caça, no Paço Real da Ribeira de Muge

Nove moios de milho anuais para as aves do Paço da ribeira de Muge. Nove moios perfariam cerca de oito mil quilos.

Sendo o Paço erguido para o "desenfadamento" do rei, estas aves eram certamente os falcões tanto de Alto-voo como de Baixo-voo, usadas nas caçadas reais: duas técnicas de caça.

«Alto-voo
A ave é largada do punho para o ar para que “remonte”,
isto é, para que ascenda sobre o terreno de caça até se colocar
alto, onde aguardará, descrevendo círculos, ou “tornos”, que a
peça de caça seja levantada pelo falcoeiro, normalmente com a
ajuda de cães.
É também designado lance de “altanaria”, ou “voo de espera”.
O ataque é realizado em rapidíssimo voo descendente, no
qual o falcão intercepta a presa, “ preando” no ar, ou derribando
a presa ao chão.
Os lances de altanaria praticam-se em grandes espaços
abertos e caçam-se voláteis, ou espécies de pena (patos, sisões,
faisões, perdizes, pombos, etc.)

Baixo-voo
Modalidade de caça na qual se utilizam açores, gaviões e
algumas espécies do género aquila.
A ave é lançada do punho enluvado do falcoeiro no encalço
da peça de caça, quando esta já se encontra em voo, ou em corrida.
A ave caçadora realiza um voo de sprint, descrevendo uma
trajectória recta da luva até à presa, de pelo, ou de pena, sendo
por isso também chamado “lance à vista”, ou ainda “lance a
braço-tornado”?». (Cetraria, uma arte medieval, arquivo histórico municipal, torre de almedina)


«Sejam certos os que este conhecimento virem como é verdade que Antão Fernandes almoxarife dos Paços da Ribeira de Muge recebeu de Afonso Monteiro almoxarife das Jugadas de Santarém os nove moios de milho que era ciente recebesse para despesa das aves dos ditos Paços os quais nove moios de milho são do ano passado de 518 e porque é verdade que os dele recebeu lhe dei este por ele assinado. Feito por mim Cristóvão Dias escrivão dos ditos paços que os sobre ele dito almoxarife carreguei em receita. Feito aos III dias do mês de Maio de mil 519 anos.

Antão Fernandes                               Cristóvão Dias»

(cf. CC, 2, maço 84, doc.146). CC, 2, maço 81, doc.122)

domingo, 7 de dezembro de 2014

Um concerto telúrico e uma Homenagem.

Um grande concerto que aconteceu ontem na matriz de Almeirim. As Gentes de Almeirim, as Cantadeiras do Vale do Neiva, e o Rancho de S. Mamede de Infesta. Foi um concerto telúrico. Apesar de gravado apenas com o telemóvel, quero partilhar esta minha homenagem ao Cante Alentejano, no Rancho Etnográfico os Camponeses de Pias que esteve presente.



Clique para ouvir:


quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Burros da Ribeira de Muge - um retrato social

Chegou o livro que, falando de jumentos num tom ora sério ora irónico, brincalhão por vezes, mas nem por isso deixa de ser um fiel retrato social da vida na Ribeira de Muge. 

E porque não no país? 

domingo, 23 de novembro de 2014

Sessão evocativa

Sem dinheiros mas com muito trabalho e estudo se vai revelando e construindo a História de uma localidade: Paço dos Negros.




quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Burros da Ribeira de Muge

Vai chegar o novo livro que conta uma nova visão da realidade da vida na Ribeira de Muge.

Como os anteriores, não vai estar à venda. Quem o quiser, não será um livro de culto, mas é certamente um livro de colecção, terá de o encomendar.
Custo 5 euros.

Capa do livro

São cerca de 30 histórias, contadas por quem as fruiu, ou revividas por quem delas soube.

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

História de Paço dos Negros – O malfadado Erro original

Sobre o Paço da Ribeira de Muge abateu-se nos últimos 170 anos, um muro de silêncio. Silêncio e esquecimento que foram os melhores aliados de toda a depredação de que continua a ser vítima, tanto de particulares como de entidades que têm o dever de o proteger e valorizar. Nestas incluindo aqueles que se dizem agentes de cultura.

Baseado em preconceitos, que não em documentos, se construíram ideias desvalorativas e erradas, propícias a todos os desmandos, logo a começar na data primordial.

Mostrando como se deu esse “pecado original”, transcrevo um curto excerto de uma longa Carta de Quitação, de 1517, em que se dá Diogo Rodrigues, almoxarife, por quite e livre pela boa conta que deu de todas as coisas que recebeu para a construção do Paço da Ribeira de Muge:
«Dom Manuel, etc. a quantos esta nossa carta virem fazemos saber que nós mandámos tomar conta a Diogo Rodrigues, nosso escudeiro, almoxarife dos nossos Paços da Ribeira de Muja, de todo o dinheiro que recebeu, e coisas que os anos passados de 511, 512, 513, 514, e despendeu para despesas das obras deles, e achou-se por bem da dita conta receber em dinheiro os quatro anos 3.343.805 reais, das pessoas abaixo …»
Ch D. Manuel, Liv 9, f . 26v.


Carta supra que ao ser copiada para a Leitura Nova, Livro 6, Místicos, 147,

foi omitido o ano de 1511:

 Braamcamp Freire, entretanto, no Arquivo Histórico Português, 1903, transcreve da Leitura Nova e faz o seu juízo sobre a aparente contradição nas datas, “512, 513, 514”, acrescentando (sic) a quatro anos.
Frazão de Vasconcelos, por sua vez, publica em 1926, o muito divulgado «O Paço dos Negros e seus almoxarifes». Recorreu aos estudos de Braamcamp Freire. Logo, manteve o erro.

Encontrando nós documentos que atestam o início da construção do Paço em 03 de Maio de 1511, seja a própria Carta- Escritura, bem como documentos de afectação de verbas logo nesse ano, procurámos o documento original, Ch D. Manuel, Liv 9, f . 26v. Neste, sob um borrão, é notória a inscrição do ano de 1511:
Sob este pequeno borrão caído em cima de 511 (dxi), nada que as modernas técnicas do Photoshop não consigam ultrapassar.
Continuamos e ver em tudo quanto é sítio, oficial ou não, afirmações de que este Paço foi iniciado em 1512, espera-se que todos e cada um reponham a verdade histórica. bem como o seu real nome, Paço da Ribeira de Muge, e não o malfadado restó Pórtico.