sábado, 25 de dezembro de 2010

Maria Trindade da Silva

Maria Trindade da Silva, 1923-2010

Fechou-se uma biblioteca em Marianos.

Obrigado Maria da Silva, por ter franqueado "a porta da sua biblioteca" a este pobre escrevinhador.

Descanse em Paz.


Pelo significado dos versículos seguintes, que Maria da Silva, iletrada, nos cantou, o tema deste romance remontará ao longínquo século XII, ao tempo das cruzadas à Terra Santa. Atentemos:


– Dizei-me vós capitão, com a sua formosa armada,

Se viste o meu marido, em terra que Deus pisava.

– Andam tantos cavaleiros, naquela terra sagrada…





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terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Paço dos Negros e a sua Academia


À CONSIDERAÇÃO DOS MEMBROS DA ACADEMIA E POPULAÇÃO EM GERAL

Dada uma certa desinformação, derivada de um certo caciquismo que impera nesta terra (Paço dos Negros) e neste concelho (Almeirim), e que vive à custa de uma certa ignorância cultural (e do orçamento), impõe-se um esclarecimento:

Porque nasceu a Academia da Ribeira de Muge?

A Academia, aberta às populações vizinhas, nasceu de uma necessidade de preservar a cultura da Ribeira de Muge. Toda a cultura, em todas as suas vertentes, e da não-resposta dada pelas associações culturais existentes, mormente em Paço dos Negros.

Finalidades da Academia da Ribeira de Muge.

Dado o atraso temporal com que o troço médio deste vale da Ribeira de Muge teve acesso a contactos externos mais intensos, manteve e pode exibir hoje, ainda, esta região, uma cultura com traços característicos muito próprios, mormente dos negros que aqui habitaram. São estas especificidades que a Academia recolheu, subindo ao povo, como nos diz o grande Pedro Homem de Melo, recolhe, estuda e quer apresentar. Quer apresentar, mas não de qualquer maneira. Com demasiados vícios, o folclore, resultantes de um passado próximo nem sempre dignificante, toda a peça que a Academia apresente tem de passar pelo crivo científico. Só assim se pode elevar e dignificar a nossa cultura. Não só dignificar, mas sublimar a cultura que os nossos mais velhos criaram.

Cada exibição deve ter por finalidade tornar presente e actual (como que tornar sagrado), um determinado momento passado da cultura dos nossos antepassados.

Cada elemento deve saber dar as razões da cultura que carrega aos ombros, aos vários níveis: musical, de poesia popular, de danças, de trajes.

Cada elemento deve dignificar o significado da palavra folclore (toda a cultura popular) que, em Portugal tem hoje uma carga negativa e achincalhante, é associada a coisa de pouco préstimo, de coisa mais ou menos improvisada, mais ou menos fantasista, mais ou menos “folclórica”.

Um membro desta Academia não deve achar correcto, por exemplo, que se envergue mais o traje regional, em dia de Carnaval. O traje, tal como as danças e as melodias, devem ser genuínos, e devem ser um símbolo da nossa cultura, a alma daquilo que somos como pessoas e como comunidade. O traje deve ser respeitado e usado, com orgulho, nos dias de maior lustre para a comunidade: Uma inauguração, uma homenagem, um dia de festa, uma visita de figura ilustre, etc. Só assim, conhecendo e usando o passado para construir um futuro de progresso, valerá a pena metermo-nos nesta aventura.

(clique para ouvir)(solista Jesuína Mendes)




domingo, 12 de dezembro de 2010

Academia da Ribeira de Muge - Folclore genuíno

Paço dos Negros orgulha-se de ter guardado das suas raizes culturais, quiçá do século XVI, o seu ex-libris, esta "Dança do Fidalgo", genuína, uma pérola que, segundo opiniões avalizadas, pode competir a nível mundial, com outras danças folclóricas e étnicas.


(Interpretação: Jerónimo Baptista)
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quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Concerto de Natal

Um pequeno excerto do concerto de Natal de ontem, 8-12,no Paço Real, inserido nas comemorações dos 500 anos do Paço Real da Ribeira de Muge.


Uma peça, das recolhas na Ribeira de Muge,  ali cantada:

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quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Pobre povo

Porque se aplica mais que a nenhum lado "deste país",  ao caciquismo e lambe-botismo reinantes no concelho de Almeirim, merece ocupar este espaço. Pela primeira vez documento alheio. Com a devida vénia.




quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Eu tive um sonho

“I have a dream”

Eu tive um sonho. Tive um sonho de que as entidades que superintendem sobre o Paço Real da Ribeira de Muge tinham decidido deixar de colaborar na sua degradação.
Sonhei que fora restaurada a harmonia e o pitoresco do local;
Sonhei que todo o complexo fora reabilitado;
Sonhei que os políticos concelhios têm uma visão de futuro, do interesse público, e não de compadrio;
Sonhei que foram feitas escavações sérias, no sentido de se vir a conhecer toda a cronologia histórica daquele local;
Sonhei que a azenha está a trabalhar, integrada num projecto turístico de qualidade;
Sonhei que fora construído um parque de merendas, onde se erguem os sombreiros característicos das palhotas dos negros;
Sonhei que o pomar real do século XVI fora resgatado e é agora um belo e frondoso jardim. Os seniores da Associação Manuel Cipriano, e turistas, ali passeiam, nas suas alamedas, por entre plantas e árvores da época;
Sonhei que a ribeira, em frente ao Paço, é agora um bonito lençol de água onde, no Verão, aos fins-de-semana, se passeiam pequenos barcos cheios de visitantes e turistas;
Sonhei que a capela voltara a ser uma obra de arte, dedicada ao seu patrono, S. João Baptista. Integrada num projecto integral turístico de qualidade, ali se voltaram a realizar alguns casamentos;


Sonhei que o povo de Paço dos Negros havia começado a entender e a ter orgulho na história e na cultura da sua terra, e o potencial turístico que tem o seu património edificado, histórico e cultural;
Sonhei que os políticos cumprem o seu dever e já não usam o povo para, na aldeia, de cima do palanque, distribuírem cheques e campos de relva sintética.
Eu tenho um sonho.