domingo, 28 de fevereiro de 2010

O segredo do Paço da Ribeira de Muge - lenda

Conta a história que aquando das invasões francesas, estes gálios invasores saqueavam tudo quanto encontravam. As igrejas e outros monumentos históricos eram os locais preferidos pois, albergavam, não poucas vezes, obras de arte de valor incalculável.

Conta a história destes tempos heróicos que, numa destas incursões, um batalhão de soldados de Napoleão ocupou Santarém, onde saquearam e vandalizaram casas e igrejas; delas fizeram caserna e camarata e até estábulo para os animais. Ali aguentaram meses, à espera de ordem para a continuação da marcha que os deveria levar vitoriosos até Lisboa.

Conta a lenda que a soldadesca se entretinha, entretanto, a saquear as igrejas e casas de várias léguas em redor, não se aventurando, contudo, a galgar a Serra de Almeirim.

Porém, na primavera de 1811 tiveram ordem de retirada para o Alentejo e então, apesar dos trabalhos das tropas portuguesas e inglesas para que estes não passassem o Tejo, diz a lenda que uma horda de gauleses passou pelo Paço dos Negros da Ribeira de Muge onde saquearam tudo quanto encontraram.

Conta-se que os frades, juntamente com os moradores e demais gentes que no Paço vinham ouvir a missa e fazer a desobriga pascal, sabendo do que se passava noutras terras, de noite, em carros de bois, aos quais tiravam os chocalhos, iam enterrar bens e géneros. Em segredo, entaiparam algumas imagens de santos e objectos de maior valor, em nichos cavados nas paredes da capela. Conta-se que é esta a razão porque se não conhece nenhuma imagem da real Capela de Nossa Senhora da Graça, nem de S. João Baptista, patrono da Ermida de Paço dos Negros.

Como às invasões se sucedeu um período de miséria, guerras civis, expulsões de frades, extinções de conventos, abandonos e fugas, perdeu-se-lhe o sítio exacto, e conta-se que ainda hoje se encontram estes objectos escondidos nas paredes da capela.

Aspecto que terá a capela de S. João Baptista, depois de ser objecto de recuperação: levar um telhado que não permita que a chuva lhe caia dentro, umas demãos de cal nas paredes, uma porta condigna com o monumento que é, arranjos no pátio, etc.

Trabalhado em fhotoshop.

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Manel Braz

Este é o paradigma, um caso típico dos temas que eram cantados pelas mulheres da Ribeira de Muge: a morte de um jovem na flor da idade.


No início da década de 30, após cumprir o serviço militar, “estava muito mimoso”, Manuel Braz, natural de Fazendas de Almeirim, a morar em Paço dos Negros, morreu a ceifar trigo. Facto que as mulheres imediatamente cantaram.

Fomos encontrar (e salvar) a versão integral deste sumido “verso” de que muitas mulheres nos entoavam pequenos fragmentos, em Paço dos Negros, após mais de um ano de buscas.

Descrito com simplicidade, nele não faltam os receios da namorada em deixar-se comprometer indo ao funeral: “Tenho medo às más-línguas, eu não sei se vá se não”.

Ceifeiros, anos 40

clique aqui: Manel Braz

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Paulo Soares da Mota filho de José Soares da Mota

Embora em outros documentos já antes apareça, nos documentos de nomeação do almoxarife, é neste a primeira vez que surge a referência a Paço dos Negros.
É nomeado ainda na menoridade de Filipe Peixoto da Silva, por morte de seu pai José Soares da Mota, ainda com a condição de dar metade do ordenado a Dona Francisca de Moura, mãe de Filipe.
Nasceu em 1665. Vem a ser confirmado no cargo, em 1695, dada a renúncia ao cargo deste Filipe.
Era casado com Dona Josefa Maria Seixas. Foi titular de moinhos na ribeira de Muge. Foi um almoxarife muito popular na região.



CH. D. Pedro II, 2, 225

Houve S. Majestade por bem havendo respeito a boa informação que tem da pessoa e suficiência do dito Paulo Soares da Mota e a ser filho de José Soares da Mota a quem havia feito mercê da serventia do ofício de almoxarife dos Paços dos Negros da Ribeira de Muja para que o servisse enquanto durasse a menoridade de Filipe a quem também tenho feito mercê de o nomear na propriedade do dito ofício e por de presente vagar por óbito do dito José Soares da Mota há sua Majestade por bem de fazer mercê ao dito Paulo Soares da Mota da serventia do dito ofício de almoxarife dos Paços dos Negros da Ribeira de Muja enquanto durar o impedimento do dito Filipe menor na forma que o servia seu pai defunto com o qual ofício haverá o mantimento a ele ordenado prós e percalços que direitamente lhe pertencerem com a obrigação de que dava metade do dito ordenado a dona Francisca de Moura mãe do dito menor para sustento dele dando fiança segura e abonada aos recebimentos do dito ofício na forma do regimento da Fazenda e a mesma foi feita a 10 de Abril de 1685.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

O território da Coutada da Ribeira de Muge

Um casamento efectuado na capela de S. João Baptista de Paço dos Negros, no ano de 1769. Nubentes: António José e Felicia Maria Prates, de Vale Flores. Os padrinhos de Casal do Zebro e Cruzetos, na ribeira dos Grous, limites da Coutada.

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Ponte na Ribeira de Muge, passagem de Palhas para Almotolias e Vale Flores


domingo, 21 de fevereiro de 2010

O desleixo, a ganância, a incúria e as lágrimas de crocodilo

Agora com a catástrofe que se abateu sobre a Madeira, voltaram as acusações e lágrimas de crocodilo.

O que se vê nesta foto penuncia uma futura catástrofe. Nem sequer é preciso ser profeta da desgraça para adivinhar isto. Basta conhecer este vale e o seu historial de cheias. Todo o aterro que se vê assenta sobre o leito de cheia, no Vale João Viegas, a 30-50 metros da Escola de Paço dos Negros. Ademais um óptimo exemplo para as crianças. Que têm a dizer sobre isto os responsáveis do Agrupamento escolar e da Autarquia e do Ambiente?

sábado, 20 de fevereiro de 2010

António Domingos

Do romanceiro local – Um romance "verso" nascido no período da Guerra 14-18.
Recolhido em Paço dos Negros, após persistentes dois anos de pesquisa.

António Domingos

Eu sei mesmo com certeza
Que eu a França vou morrer
Adeus mana Virgínia
Nunca mais te eu torno a ver

Adeus mana Luciana
Ó mana do coração
Eu agora vou para França
                                   Vou morrer de um alemão – recolhido à posteriori

Adeus ó mana Emilha
És minha mana real
Que alegria tinhas tu
Se eu voltasse a Portugal

Adeus ó sítio da França
Tens uma rosa encarnada
Onde morreu o António Domingos
Queimado de uma granada

Adeus ó sítio da França
Lá no meio tens uma flor
Adeus Conceição Jacinta
Já morreu o teu amor

Torradas novas torradas
A faca corta o limão
Já morreu o António Domingos
Cravo roxo em botão

Clique aqui: António Domingos


sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Raposa - Um pouco da sua história

Um documento guardado no Patriarcado,  relata a visita que fez Feliciano Luís Gonzaga, visitador do Patriarcado, em 1760, a qual principiou em Raposa, no dia 1 de Junho, seguindo-se Lamarosa, Erra, Montargil, Chouto…, Torres Novas, e terminou em Alcanena e Monsanto a 4 de Agosto, num total de 30 paróquias.
Neste podemos confirmar a dedicação a S. João Baptista a tão desprezado capela real de Paço dos Negros.



Isaías da Rosa Pereira, Visitas paroquiais da região de Torres Novas, ano de 1760: 45:

Torre sineira da Igreja de Santo António de Raposa