sábado, 30 de janeiro de 2010

Jorge Peixoto da Silva - 9º Almoxarife

Principais caracteristicas deste almoxarifado: retoma o cargo que fora de seu pai João Rodel Figueira. É casado com Francisca de Moura. Vem a morrer onze anos depois, deixando "um filho e duas filhas e a sua mulher Francisca de Moura pejada". Mantém a obrigação de ter um cavalo para guardar a coutada, e de cultivar o pomar.

ch. D. Afonso VI, 28,269.

Dom Afonso etc. faço saber a quem esta minha carta virem que tendo respeito ao ofício de almoxarife dos meus Paços da Ribeira de Muge e haver sido de João Rodel Figueira pai de Jorge Peixoto da Silva e de seus avós por parte de sua mãe D. Maria da Silva Peixota hei por bem e me praz fazer-lhe mercê ao mesmo Jorge Peixoto da Silva da propriedade do dito ofício que vagou por falecimento de Francisco de Almeida último proprietário que dele foi a quem não ficaram filhos o qual terá e servirá assim e da maneira que o servia o dito seu pai enquanto eu o houver por bem e não mandar o contrário com declaração que tirando-lho ou extinguindo-o em algum tempo por qualquer causa que seja minha Fazenda lhe não ficará nisso obrigada a satisfação alguma e haverá com ele de ordenado cada ano dois moios de trigo e dois moios de cevada pagos no almoxarifado das Jugadas da vila de Santarém e 34 mil réis em dinheiro pagos no almoxarifado das sisas da mesma vila dez mil réis de seu ordenado e os 24 mil réis para dois homens que hão-de trabalhar no Pomar dos ditos paços que é o mesmo que tinha e havia o dito seu pai que tudo lhe será pago com certidão do Provedor das Obras e Paços de como serve o dito ofício e cumpre com as obrigações dele e assim haverá mais todos os pró e percalços que lhe direitamente pertencerem pelo que mandamos Provedor de minhas obras e paços lhe deis posse do dito ofício o lho deixe servir e dele usar e haver o dito ordenado prós e percalços como dito é o juramento dos santos evangelhos que bem e verdadeiramente o sirva guardando em tudo meu serviço e as partes seu direito de que se fará assento nas costas desta que se cumprirá inteiramente e como nela se contém a qual por firmeza de todos mando dar ao dito Jorge Peixoto da Silva por mim assinada e selada com o meu selo pendente de que pagou de xxx direitos vinte e três mil réis que se carregarão ao tesoureiro Aleixo Ferreira Botelho a folhas 27 do livro de sua receita Francisco Ferreira o fez em Lisboa a 10 de Fevereiro de 1667 anos Sebastião da Gama lobo o fez escrever. El rei.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Vale do Urzal - Memórias e correcções

É certo que sem grande relevância, mas não será o mesmo dizer Vale do Arrozal, Vale do Rosal, a dizer Vale do Urzal.



Estrada do Vale do Urzal, entrada de Paço dos Negros, à Serra.

Memórias perdidas

Para os que gostam de conhecer estas memórias perdidas das suas terras. E Paço dos Negros, nestes aspectos,  tem sido um fartar vilanagem.

O outeiro onde  hoje se encontra a Escola que foi Primária, hoje Básica, chamava-se outrora Outeiro do Aposento.
(Local de pouso, hospedagem?, descanso de pessoas e animais?)


quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

As recomendações do IPPAR e o Paço da Ribeira de Muge

Depois da recomendação do IPPAR, em 2005, para que a Câmara de Almeirim desenvolvesse o processo de classificação do monumento quinhentista, único ainda recuperável no concelho, o que esta Entidade tem vindo a fazer, bem pode dizer-se que raia o criminoso: Em 2006, esconde o Paço atrás de uma montanha de terra, destruindo de vez o Pomar Real. Não satisfeitos, em 2009, montam-lhe um estaleiro de obras em cima.












Deixo ao leitor deste pobre blog que classifique a atitude da Câmara de Almeirim no que respeita à defesa do património histórico que lhe compete defender e preservar.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Ainda o Furunando de Gil Vicente

Será este Fernando Frade o Furunando de Gil Vicente? Alguns autores desconhecendo a origem do(s) negro(s) em Gil Vicente, remetem  para negros provenientes da costa da Guiné, Benim, Mina, contudo aventam servirem estes em Lisboa.
Pensamos ser este Homem negro da capela da Ribeira de Muge, o Furunando de Gil Vicente.


Recebeu Fernando Frade homem preto da ribeira de Muja os cinco alqueires de azeite contidos em este mandado o qual azeite custou em cento e oitenta reis por alqueire em que montou os novecentos reis e assinou aqui em Santarém a 22 de Agosto...

Trecho da fala de preto em A Nau de Amores:

– Pues senor que hazeis acá?
– Poro meu votare a mi vem. - Por minha vontade vim
Abre oio Purutugá - Visitar Portugal (olhar Portugal)
Bo tera que ele tem. - É uma boa terra
Aqui muto a mi furugá. - Aqui folgarei muito
Y si muire mi matai, - e se uma mulher me matar (de amores)
Gran pecaro que bai ela. - Grande pecado fará ela.
Benturo quero buscai - quero buscar a ventura
Esse santo caravela, - nesta santa terra
Se boso seoro mandai. - Se vós senhor o permitis.

in Paul Teyssier.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Gil Vicente, Paço dos Negros e o nosso Furunando.

Ainda Henrique Leonor Pina: «- Naquela altura [1510] foi quando El-rei mandou fazer Paço novo junto à ribeira de Muge, para repousa nas caçadas na coutada real. Aquele a que chamam Paço dos Negros. Muito do trabalho foi aí feito por gentes que vieram de África. Ao que se dizia, eram escravos guinéus, vindos do reino do Benim. Destinavam-se, principalmente à arroteias dos pauis das ribeiras de Muge e da Atela .../... Os seus descendentes ainda cá estão. Viviam em casa de pau a pique, com paredes de caniços tapadas de barro e telhados de espadana e junco.»


Entre 1525 e 1527 Gil Vicente permaneceu grande parte do seu tempo em Almeirim, devido a febres. Em a Nau de Amores, a tragicomédia com que, em 1527, se recebeu em Lisboa a nova rainha Dona Catarina de Áustria (rainha que com o neto, D. Sebastião, tanto viria a frequentar o paço da Ribeira de Muge), Furunando invoca ser fidalgo, mais até que outros, por ser um dos quarenta filhos do Rei do Benim*:
«Se boso firalga he aqui
a mi firalgo também
fio sae de rey Beni
de quarenta que elle tem
a masa firalgo he a mi.»

* em Paul Teyssier, la langue de Gil Vicente.

Gil Vicente, o Furunando, e Paço dos Negros

Destes escritos Quinhentistas, de Henrique Leonor Pina, sobre Gil Vicente, pág. 59: «não era bom caçador, mas conhecia bem o Paço da Ribeira. Falava com frequência com os negros que aí se haviam fixado.../...Chamava-se precisamente Fernando. Pediu que lhe rezasse o Padre Nosso e a Salve Rainha...



Salve Rainha retirada da peça "O Clérigo da Beira":

– Sabe a Regina*
mathoa misericoroda
nutra dun cego sável
até que vamos a oxulo filho degoa
alto soso peamos já frentes
vinagre quele quebraram em balde
ja ergo a quarta nossa
ha ylhos tue busca cordas
oculos nosso convento
e geju com muyta fruta ventre tu
ja tremens ja pias.
Seoro Santa Maria…







(pode ver-se como a linguagem é um hino à vida no Paço da Ribeira.)









*Salve Regina, mater misericodiae Vita, du cedo et spes nostra, salve! Ad te clamamus, exules filii Evae. Ad te suspiramus gementes et flentes in hac lacrymarum valle. Eia ergo, advocata nostra illos tuos misericordos óculos ad nos converte. Et Jesum, benedictum fructum ventis Tui nobis, post hoc exilium, ostende. O clemens, o pia! o Dulce virgo Maria.