quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Um pedido aos jovens da minha terra


Aos jovens da minha terra.
Quero dizer-vos que não acredito que repitam os actos de verdadeiro vandalismo que tem surgido nos últimos anos no nosso Paço, na noite da passagem do ano. Quero acreditar que os Jovens da minha Terra não têm a mentalidade retrógrada dos mais velhos, quando não havia o conhecimento nem o respeito pela natureza e pelo património.
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Fotos da Passagem do ano de 2011/12, com fogueira em cima das lajes quinhentistas.
Quero pedir-vos: sejam livres, sigam o vosso caminho em liberdade, não obedeçam aos beijacus que em Almeirim se amesandam à mesa do orçamento e de vós se servem. Honrem a vossa História e a vossa Terra.
Ainda é possível refazer todo o nosso Paço Real. Dois terços estão lá. De pé. Orgulhosamente. Teimosamente. Para principiar, cortem a língua a esse que chamar “pórtico” ao nosso Paço Real. Esse título achincalhante, é invenção e só serve o lóbi do Restopórtico, amesandado em Almeirim.
Depois de me perseguirem durante seis anos, uma coisa os caciques e os amesandados não me podem roubar: o sonho, o prazer, a alegria, a felicidade de trabalhar para a minha terra, sem interesses escondidos, coisa de que eles se não podem gabar.
Já que vejo tantos jovens a quem roubaram o sonho, ofereço-vos um pouco do meu sonho, que é fruto de muito trabalho.
final com fonte leve

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Já chegaram os livros, CONTOS DE ENTRE-MUGE-E-SORRAIA. Estavam prometidos para dia 13. São poucos, amanhã mesmo vou começar a distribuí-los.
Sei que não é uma obra prima, mas também sei que nunca serão lixo, como carradas deles que se vendem a peso nos supermercados pois, estes, de qualquer forma, nasceram da sabedoria do povo rude desta região de Entre-Muge-e-Sorraia e com ele viverão.

Aos amigos que já encomendaram o meu obrigado. Aos outros, ainda estão a tempo, e obrigado também pela paciência em lerem.

Ver post anterior.

domingo, 9 de dezembro de 2012

Contos de Entre-Muge-E-Sorraia

Avisou-me a Gráfica que no próximo dia 13 chegará às minhas mãos o livro “Contos de Entre-Muge-E-Sorraia”. Penso tratar estes aspectos burocráticos ainda antes do Natal. Até porque o próximo já espera.

Trata-se de mais uma edição de colecção, 75 exemplares, que serão numerados por ordem de reserva.

O preço será de 5 euros.

Os meus amigos que queiram um exemplar, é favor reservarem. (no face privado, ou cpm_evangelista@hotmail.com)

Como todos os meus livros é um livro de temática local, centrado na cultura (ainda) genuína do povo, logo um livro de interesse universal.

 

Eis alguns dados do livro.

As 32 enciclopédias (quase todas iletradas) que o permitiram:

Emília da Conceição Caniço, 1913, Paço dos Negros.

Manuel Fidalgo Peleve, 1913, Paço dos Negros.

Rafael Roberto, 1915, Paço dos Negros.

Maria da Conceição Pardal, 1918, Foros de Benfica.

Arminda Inácio, 1919, Paço dos Negros.

Maria Antónia Alves, 1921, Parreira.

Maria Trindade Silva, 1922, Tira, Marianos.

Custódia Secanta, 1922, Tira, Marianos.

António Maria Caniço, 1924, Paço dos Negros.

Benvinda Secanta, 1924, Tira, Marianos.

Lucinda Maria, 1924, Paço dos Negros.

Tomé Dias, 1926, Tira, Marianos.

Manuel Maria Cipriano, 1926, Paço dos Negros.

Jesuína Fidalgo, 1926, Paço dos Negros.

Jesuína Vitória, 1928, Arneiro da Volta.

Madalena Fernandes, 1929, Paço dos Negros.

Manuel Ferreira, 1930, Paço dos Negros.

Fernanda Tomé da Rosa, 1931, Monte da Vinha.

Jacinta Matias, 1931, Paço dos Negros.

Manuela dos Gagos, 1931, Gagos.

Jesuína Tomé, 1931, Paço dos Negros.

Gracinda Pereira, 1931, Paço dos Negros.

Maria Claudina Ferreira, 1933, Paço dos Negros.

Emília Botas Monsanto, 1933 Fazendas de Almeirim.

João Maria Luís, 1933, Paço dos Negros.

Leonor Florêncio, 1935, Paço dos Negros.

Rosaria Ferreira, 1935, Paço dos Negros.

Maria Claudina Mendes, 1937, Paço dos Negros.

António Amaral Cipriano, 1937, Paço dos Negros.

Guilhermina do Rosário, 1940, Paço dos Negros.

Jesuína Mendes, 1943, Arneiro da Volta

Jesuína Pereira, 1950, Paço dos Negros.

Indice:

Prefácio 7

O real cavalo Moufão 9

Os oito tostões 11

Dá a mosca nos homens 13

O Juízo, o Vento e o Orvalho 15

Porque é eterno o Pouco-Juízo 16

Amigos, amigos, negócios à parte! 19

Um padrinho na Beira 20

Os galegos, os barrões, os bimbos, os caramelos e os gaibéus 21

Os cientistas e o burro sabichão 23

A casa da Alorna. Quem lá vai… 24

O Peixe Azul 28

O Pinto das andarilhas de pau 31

A velha da cabaça 33

O burro, a foice e o galo 34

O Príncipe Ramos-Verdes 38

Os dois irmãos e a princesa 42

A princesa e o cabreiro 44

O João das Patetices 46

Só um salamim 48

O Maio Grande 50

O empréstimo 53

A flauta mágica 54

A velha e o sapateiro 56

O Zé Matias 58

O apostador 59

O Zé Mocho 60

A burra carrega-se até cair 61

O galo 62

O rato, a rã e o besouro 63

O mal da fruta 64

Já Viram Isto? 65

A gravata 66

Os velhos zangados ou o gato nabulalá 67

As luvas de pele de ouriço 68

A manta repartida 70

O lavrador e as figueiras-do-inferno 72

A casa grande demais 73

Uma trovoada santa 75

A rachinha 77

A praga 79

A Revolução em Almeirim 80

As almas do outro mundo 81

Era serviço que se havera de fazer… 83

As aparências iludem 85

O compadre rico e o compadre pobre 86

Os pobres ricalhaços 88

A guitarra 89

A pele da burra 91

O Borrifinho e o Borrifalho 93

O caçarreta 95

Os bichinhos bilros 97

Domingos Ovelha 99

O padre Sarrazola 100

Passarinho trigueiro 101

O patrão diz que vá, já, já 102

A alminha perdida 103

O bacalhau estragado 104

As vizinhas, os carapaus e o gato 105

O rei de boa boca 107

O rei, o padre e a galinha 109

O rei e o prisioneiro 110

Os figos do rei 111

A cigarra bandarra e a formiga rabiga 112

A Raposinha gaiteira 113

O porco e o burro 114

Dezoito por cima do moio! Ou a lebre e o sapo 115

O rato e a rã 118

O homem e o lobo 119

Vozes de burro 120

A raposa e o burro 121

A raposa rabicha e o cão 122

O melro e a raposa 123

A raposa e o lobo 125

O lobo e a raposa 128

O leão e a vaca 129

Um baile no céu, ou a raposa e a cegonha 130

O carneiro e o gato 132

O burro, o cão, o gato e o galo. 134

O galo e a raposa 136

A raposa e o mocho 137

O lobo e o cordeiro 138

A raposa, o sardinheiro e o lobo 139

Lista de informantes 140

Capa, onde pode ver-se a região contemplada nos contos.

Contos de entre muge e sorra para blog

sábado, 8 de dezembro de 2012

Paço dos Negros nascida dos Descobrimentos

Será talvez uma ousadia, que os especialistas poderão desvendar, mas este retrato extraído do Livro de Horas de D. Manuel, pela sua rusticidade, não estranharia que fosse de uma estadia em Paço dos Negros. Este era de negros, por isso de negros ficou o nome.

Um dos primeiros documentos sobre Paço dos Negros da Ribeira de Muge. Excerto de uma Carta, extraída do Corpo Cronológico, carta de Pedro Matela,  Contador mor de Santarém e Abrantes, ao rei D. Manuel I, com data de 22 de Abril de 1511.
Nesta carta, pode ver-se que ainda antes de ser feita a escritura do paço, que viria a ser a 3 de Maio, por recomendação do rei, o paço já estava em construção.
Neste trecho, Matela pede ao rei que mande uma dúzia de escravos, escravos estes que ficaram e que deram o nome à terra, ao mesmo tempo que faz uma crítica a uma venda de escravos que estavam em Almeirim, e que haviam sido vendidos a 10 de Abril.

«Outrossim senhor os servidores para servirem na dita obra por ser alongada de conversação hão-se trabalhosamente e por mor aviamento da obra me parece que será vosso serviço mandar a ela uma dúzia de escravos e eu mandarei mui bem cuidar deles e estarão na dita ribeira e servirão e forrarão dinheiro a vossa alteza por que posto que os que estavam em Almeirim fizessem pouco proveito e foram mal vendidos estes farão mais proveito e serão melhor vendidos quando vossa alteza mandar por que eu proverei em tudo como cumpre a vosso serviço.»

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Um contributo para o desenvolvimento sustentado da Ribeira de Muge

Em boa hora começam a surgir estudos sérios e científicos sobre a Ribeira de Muge. É o caso do presente trabalho inserido na tese de Mestrado da Universidade de Coimbra, Curso de Gestão e Programação do Património Cultural, do nosso conterrâneo Samuel Tomé.

Trata-se de um trabalho muito completo sobre os moinhos desta ribeira, sua história desde o século xv, minucioso enquadramento nas diversas tipologias, e uma visão interessante de como este riquíssimo património pode ser factor de desenvolvimento económico.

Está o Autor e também a Ribeira de Muge de parabéns.

 

capa samuel

sábado, 24 de novembro de 2012

Paço dos Negros, a Tacubis das Tábuas de Ptolomeu-uma forte hipótese

 1 ptolomeu
Fazendo uma análise relacional das coordenadas de Ptolomeu, Tacubis com os valores de 6º, 20´; 40º, 45´. De Scalabis, 15´a sul e 20´para leste. De Ebora, 55´ a norte e 40´ para oeste, assenta Tacubis muito próximo do local da Paço dos Negros actual.
Évora com as coordenadas 39º,50´ de latitude norte, Santarém 41º,00´ (40º, 55´ em Saa), Tacubis 40º,45´: Dista Évora de Santarém, por estrada, cerca de 120 km. Paço dos Negros dista 100 km de Évora e 20 de Santarém. Ambas as distâncias confirmam uma relação correcta das coordenadas, pois atestam a conformidade de a cada grau de latitude corresponder cerca de 110 km. O que não acontece em relação à região de Abrantes.
Mário Saa que afirma a via XIV do Itinerarium assentando na ribeira de Muge, teria considerado correctamente Tacubis a sudeste de Scalabis. Parece-nos, todavia, que o principal erro de Saa reside em ter considerado, contra todas as evidências, e segundo os mais respeitados estudiosos do tema, Scalabis em Tomar. (ver mapa, pág. 31).
(do Livro Paço dos Negros da Ribeira de Muge-A Tacubis Romana)

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domingo, 18 de novembro de 2012

O pão

A propósito de uma questão de trânsito em Almeirim, aliás (não) resolvida do modo mais sábio e saboroso.

Segundo o sociólogo alemão, Norbert Elias, o pão revela toda a cultura de um povo. Diz ele que, entrando numa padaria, fica-se a conhecer o seu presente, mas também todo o seu passado.

Desde sempre o pão na nossa cultura se reveste de uma dignidade própria. Quem não se lembra de ver os nossos pais e avós (ou não o pratica) que, ao cair ao chão um pedaço de pão o apanhavam e, beijando-o, o aproveitavam. De terem o cuidado de nunca deixarem o pão virado de costas.

A própria etimologia da palavra pão nos revela a dignidade e riqueza associadas às palavras estruturantes da sociedade, como pai, pátria, patrão, padeiro, padrinho, papa, etc.

O sociólogo Fernand Braudel, por sua vez, distingue o processo evolutivo da humanidade, em três grandes civilizações, cada uma delas associada basicamente a uma espécie de cereal, durante milénios, que considera plantas de civilização: A asiática ligada ao arroz, a ameríndia ligada à cultura do milho e a europeia que nasceu no Crescente Fértil, herdeira da cultura do trigo, a que associa o que considera o superior desenvolvimento da sociedade ocidental pelas propriedades alimentares deste cereal.

Hoje a sociedade é essencialmente prática e funcional, o simbólico não é percebido ou não tem lugar, pelo que podem parecer, estas divagações, não aplicáveis nos dias que correm.

Mas não é assim. O simbolismo do pão continua presente na nossa cultura.

Vêm estas considerações a propósito do tratamento diferenciado que a nossa sociedade continua a dar a locais onde o pão (e seus derivados) é rei e senhor.

Experimente o meu caro visitante deste blogue passar em Almeirim, pela rua Condessa da Junqueira e veja em frente à padaria ali existente os carros estacionados em cima dos passeios, o trânsito não raro parado, enquanto os seus proprietários se abastecem de um aromático pão quentinho, ou se deliciam com um saboroso bolo e um cafezinho, com toda a compreensão da sociedade.

Pão acabado de cozer. Foto desse ritual, há 4 anos, em casa da senhora do meio, que faria agora 100 anos.

pão