quinta-feira, 18 de outubro de 2012

As caralhotas de Paço dos Negros

Segundo confirmação junto das mulheres mais velhas, as caralhotas nasceram de as crianças pedirem às mães um bolo, e estas raparem, aproveitando os restos de massa do fundo e bordos do alguidar. Massa que enrolavam, esfregando com as mãos. Porque estes restos de massa eram mais rijos, faziam uma espécie de rolo sobrecomprido, com que as crianças se deliciavam. Este formato sobrecomprido, que modernamente se designa de baguete, nestas pessoas simples e rudes, é que lhe deu o nome de “caralhota”.

Pelo dito, pensa o autor que a caralhota nunca poderá ser um pão redondo, tipo merendeira.

Com o tempo, e maior desafogo económico, passou a usar-se a massa normal do alguidar.

Quem escreve estas linhas, ele próprio nos anos 50, pedia a sua tia Joaquina que lhe fizesse uma caralhota, por vezes até ajudava a rapar a massa do alguidar, pois a mãe apenas cozia pão de milho.

Fornada de pão, acabado de deitar, com algumas caralhotas.

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Cesto com caralhotas.

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quarta-feira, 17 de outubro de 2012

ALMEIRIM PORQUE NÃO HÁ UM PROJECTO REABILITAÇÃO DA RIBEIRA DE MUGE?

Com a devida vénia, retirado do blog “Nós somos capazes”

Escusado será repetir que foi o próprio poder político vigente em Almeirim, inclusive os autarcas das freguesias que têm a responsabilidade da preservação dos recursos dos seus territórios, que votando como votaram originaram esta situação.

ALMEIRIM PORQUE NÃO HÁ UM PROJECTO  REABILITAÇÃO DA RIBEIRA DE MUGE?

A Ribeira de Muge, atravessa todo o Concelho de Almeirim, mas nasce no concelho de Abrantes, atravessa a Chamusca, Almeirim e vai desaguar no Tejo no concelho de Salvaterra de Magos (junto a Muge), outrora constituiu uma via fluvial de enorme importância para toda esta vasta área (pesca, água potável, e rega de várias culturas), hoje o seu “abandono é notório, a mesma encontra-se num estado de degradação ambiental e necessitar de uma intervenção urgente de reabilitação ambiental, nomeadamente a erradicação de vegetação invasora com aplicação de herbicidas, limpeza do leito com remoção de árvores caídas, desflorestação, poda selectiva, remoção de resíduos, desobstrução e desassoreamento, bem como a consolidação das margens em toda a sua extensão.

Não deixa de ser muito “estranho”, ou talvez não tanto, como é possível que as Câmaras, em especial a de Almeirim, não desenvolva os maiores esforços, tendo em vista a realização de obras de reabilitação deste importante recurso fluvial, através de um projecto de empreitada que deveria incidir, essencialmente, na limpeza e desobstrução das linhas de água, transversal a todos os concelhos, consideradas como sendo "zonas de risco" num cenário de inundação em período de chuvas, com vista a acautelar e prevenir eventuais inundações, a aplicação de herbicidas e erradicação de vegetação invasora, desobstrução e desassoreamento de  árvores caídas da  florestação e resíduos. Uma única razão a “desertificação de ideias, numa revelação de incompetência, falta de capacidade, falta de ideias e de projectos para o desenvolvimento em especial do Município de Almeirim e falta de sentido da sua missão de serviço público por parte da “gestão politica” da maioria que “desgoverna” esta Câmara Municipal?

Não se entende porque não foi até hoje realizado um projecto intermunicipal, com apoio da  Administração da Região Hidrográfica, das Câmaras Municipais abrangidas e  da Agência Portuguesa do Ambiente, entidades a quem deverá ser apresentado este projecto de recuperação ambiental de modo a colher também os respectivos apoios comunitários e não ser suportado pelos respectivos municípios?

sábado, 13 de outubro de 2012

Romanceiro da Ribeira de Muge


Na presente versão do medievo romance “Conde da Alemanha”, recolhida na Ribeira de Muge, de que temos conhecimento como recolhido noutras regiões com esta designação e, entre outros, o nome de “Conde Alarcos”, “Conde Alberto”, “Silvana, etc., o romance trata de princesa que vendo-se a ficar para sempre solteira, pede ao rei seu pai que mande matar a mulher do conde, para desposar este.
De referenciar nesta lição, o facto da assonância em í-a se manter do princípio ao fim, com excepção dos versos 23 e 24, cujo dístico monorrimo tem assonância em a-o.
Discutem os romanistas a origem deste romance: castelhana ou portuguesa?
Esta versão da ribeira de Muge tem uma feliz particularidade, a de situar geograficamente o romance?: Tocam-se os sinos na Alhandra; referir-se-à a informante da nossa lição da Ribeira de Muge, à Alhambra, em Granada?
Clique para ouvir: Conde da Alemanha.
https://dl.dropbox.com/u/4453889/4%20Conde%20da%20Alemanha.mp3
Começa com um excerto dos Açores, outro da Beira Alta, de José Alberto Sardinha e termina com a versão da Ribeira de Muge.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

O Romanceiro Medieval da Ribeira de Muge


Hoje dispus-me a voltar a ouvir o melhor da nossa música étnica:

 Michel de Giacometti, Trás-os-Montes.
INTEMPORAL.

Ora, neste romanceiro, o tema D. Fernando é o mesmo romance medieval que recolhemos na Ribeira de Muge e que tem o nome de O Soldadinho.
Comparemos ambos os temas.

Clique para ouvir:

https://dl.dropbox.com/u/4453889/O%20Soldadinho%202.mp3

Começa com um excerto da versão de trasmontana, continua com a lição recolhida na Ribeira de Muge, e termina com um excerto da mesma, numa recreação da Academia Itinerarium XIV.

domingo, 7 de outubro de 2012

A sedução na cultura popular

Hoje vou apresentar neste espaço a prova de que em matéria de cultura se pode subir ao povo, e com o povo, como nos diz Pedro Homem de Melo.

Em vez de nos retermos em folclorices que denigrem a nossa cultura popular, que nos são apresentadas nos espectáculos vazios do “agora seguidamente…”, sem dignidade, nestas aldeias entregues a autênticos carroceiros da cultura, quase sempre falsificadas, de modo a servirem o poder político, que deles se serve passando o cheque senvergonhista, em cima do palanque.

Nesta metáfora do povo simples, recolhida em Paço dos Negros, está presente toda a riqueza e simbolismo da sedução HOMEM/MULHER: O tremoço rechonchudo, o rapaz homem feito que já bebe da murraça, garboso, responsável; a pevide na simbologia feminina, a conquista da mulher, frágil, a pevide brejeirinha, o tremoço pequenino antes de cozido, e que é escorregadio.

Clique para ouvir:

O tremoço rechonchudo

https://dl.dropbox.com/u/4453889/tremo%C3%A7o%20rechonchudo.mp3

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Os moinhos da Ribeira de Muge

Em boa hora começam a surgir artigos científicos sobre o Paço e ribeira de Muge. 
Do nosso conterrâneo Samuel Tomé, sobre o Moinho do Fidalgo, publicado na revista Molinologia Portuguesa, nr. 4, editada em julho de 2012:

Foto inserida no artigo

Pequeno excerto do artigo

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Do Romanceiro Nacional

 

Nesta recolha da Academia Itinerarium XIV- Ribeira de Muge, podemos ver a alegria que o homem ribatejano põe nas suas recriações.

A Pastorinha, numa bonita e plangente versão das nossas Beiras Trasmontanas, de José Alberto Sardinha, comparando com a vivacidade das gentes do Vale da Ribeira de Muge, onde foi recolhida junto de Jesuína Vitória, num trabalho da Academia.

clique para ouvir:

Versão beirã, e da ribeira de Muge. Solistas Gustavo Pacheco Pimentel e Maria de Jesus.

https://dl.dropbox.com/u/4453889/Pastorinha.mp3