quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Paço dos Negros e a sua cultura diferente e genuína

À CONSIDERAÇÃO DOS MEMBROS DA ACADEMIA E POPULAÇÃO EM GERAL

Dada uma certa desinformação, derivada de um certo caciquismo que impera nesta terra (Paço dos Negros) e neste concelho (Almeirim), e que vive à custa de uma certa ignorância cultural (e do orçamento, claro), impõe-se um esclarecimento:

Porque nasceu a Academia da Ribeira de Muge?

A Academia, com sede em Paço dos Negros, aberta às populações vizinhas, nasceu de uma necessidade de preservar a cultura da Ribeira de Muge. Toda a cultura, em todas as suas vertentes, e da não-resposta dada pelas associações culturais existentes, mormente em Paço dos Negros.

Finalidades da Academia da Ribeira de Muge.

Dado o atraso temporal com que o troço médio deste vale da Ribeira de Muge teve acesso a contactos externos mais intensos, manteve e pode exibir hoje, ainda, esta região uma cultura com traços característicos muito próprios, mormente dos negros que aqui habitaram. São estas especificidades que a Academia recolheu, subindo ao povo, como nos diz o grande Pedro Homem de Melo, recolhe, estuda e quer apresentar. Quer apresentar, mas não de qualquer maneira. Com demasiados vícios, o folclore salazarista, resultantes de um passado próximo nem sempre dignificante, toda a peça que a Academia apresente tem de passar pelo crivo científico. Só assim se pode elevar e dignificar a nossa cultura. Não só dignificar, mas sublimar a cultura que os nossos mais velhos criaram e recriaram.

Cada exibição deve ter por finalidade tornar presente e actual (como que tornar sagrado), um determinado momento passado da cultura dos nossos antepassados.

Cada elemento deve saber dar as razões da cultura que carrega aos ombros, aos vários níveis: musical, de poesia popular, de danças, de trajes.

Cada elemento deve dignificar o significado da palavra folclore (toda a cultura popular) que, em Portugal tem hoje uma carga negativa e achincalhante, é associada a coisa de pouco préstimo, de coisa mais ou menos improvisada, mais ou menos fantasista, mais ou menos “folclórica”. (isso é folclore, dizem por exemplo, os políticos).

Um membro desta Academia não deve achar correcto, por exemplo, que se envergue mais o traje regional, em dia de Carnaval. O traje, tal como as danças e as melodias, devem ser genuínos, e devem ser um símbolo da nossa cultura, a alma daquilo que somos como pessoas e como comunidade. O traje deve ser respeitado e usado, com orgulho, nos dias de maior lustre para a comunidade: Uma inauguração, uma homenagem, um dia de festa, uma visita de figura ilustre, etc. Só assim, conhecendo e usando o passado para construir um futuro de progresso, valerá a pena estarmos nesta aventura.

(clique para ouvir uma recolha que deverá remontar a alguns séculos atrás)

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Os Negros da ribeira de Muge e o Rei Preto

Extraído do Livro Paço dos Negros da Ribeira de Muge - A Tacubis Romana
 
Será que o Rei Preto é apenas Lenda?

CC, 2, mac 163, fol.23

Pedro Matela cavaleiro da Casa d’el-rei nosso senhor e seu contador na comarca dos escravos desta mui nobre e sempre leal vila de Santarém e da vila de Abrantes, corregedor perpétuo da vila de Almeirim, vos mando a vós Simão Lopes, recebedor das sisas da távola de Marvila desta dita vila de Santarém, que compres cinco alqueires de azeite e os entregares a Fernando Frade, homem preto da Ribeira de Muge, para andarem na capela dos ditos Paços da dita Ribeira, que por ordenança o dito senhor manda que lhe sejam entregues...
Assinatura de Fernando Frade - o Rei Preto

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Uma pequena lembrança e homenagem

Hoje que é dia de S. Domingos. Um período histórico que merece ser lembrado e conhecido.

Durante mais de 300 anos, os frades de S. Domingos do Convento de Nossa Senhora da Serra de Almeirim, vieram ao Paço dos Negros dizer missa, na capela de S. João Baptista, “todos os domingos e dias santos”, conforme o atesta este doc. entre muitos.

49 Macho capela PT-TT-RGM-N-0001_m0398

A quem interessa o desconhecimento da História da nossa terra?

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Rei Preto, o mito de Paço dos Negros


Baseado nas len das que fazem parte da mitologia de Paço dos Negros:
De que o Rei Preto era filho de princesa portuguesa que teve um filho negro e o rei para aqui o mandou;
Outra de que era filho de um sultão africano;
Outra ainda de que fechava os gatos num quarto, quarto que ainda existe no paço, e lhes batia, gritando: “Valha-me Nosso Senhor Jesus Cristo”;
Na figura do negro Furunando, em Gil Vicente;
Nos bronzes do Benim;
Nos documentos da época, em que o rei D. João III (1529), pagava soldo a Fernando (Furunando) Frade, homem preto da capela de Paço dos Negros;
Ainda nos registos em que se fizeram baptizados em série no Benim, em que o rei mandava dar aos negros guinéus vindo ao reino, sempre um barrete vermelho, um gibão vermelho (ou dalguma cor);
Na tradição dos povos do golfo da Guiné de usarem um barrete vermelho;
Na tradição local, de que o Rei Preto era traquinas, refilão, autoritário, vaidoso;
Criou a Academia da Ribeira de Muge a figura do Rei Preto, que doravante proporá como o ex-libris de Paço dos Negros da Ribeira de Muge.
Pedimos desculpa pela qualidade artística da obra mas, pior será deturpar, não fazer nada pela genuína cultura de Paço dos Negros.
rei preto f2 copy

Rei Preto final

O Moinho dos Foros

 

O moinho dos Foros de Benfica é mais um monumento que se prepara para nem deixar rasto. No sopé da Serra de Almeirim, era bem imponente.

 

moinho foros benfica 021

moinho foros benfica 022

domingo, 15 de julho de 2012

O Património


Paço dos Negros. O Lagar de azeite.

É pena não haver sensibilidade para se reconhecer o valor patrimonial, histórico, cultural, mesmo económico, no futuro, que tem, para uma aldeia pobre, um monumento destes. Junto da escola, o que deveria ser um bom exemplo para o ensino e aprendizagem, para os alunos, é, antes, um mau exemplo de como é natural deixar-se morrer o que é velho. Incluindo as pessoas.
Já sei que devido ao caciquismo reinante, vai haver um coro de vozes críticas, “dizem as ditas: “naquilo que é seu, cada um faz o que quiser”. Faça-se.
Ignoram que a história e a cultura não têm dono.

Francisco Fernandes, antigo dono, e filho, com trabalhadores .
Cópia de lagar francisco mestre sousa
Estado actual.
lagar de azeite

terça-feira, 10 de julho de 2012

O Cancioneiro religioso da ribeira de Muge

 

Ainda existem pérolas perdidas. É preciso apenas procurá-las e não andar a perder tempo com folclorices serôdias que nunca aconteceram e apenas contribuem para o esquecimento da genuína cultura do povo.

É cantado por esta mulher, nascida na década de 20: Jesuína Vitória.

Jesuína Vitória

Clique para ouvir: Bendito e louvado. Uma reminiscência de ancestrais cantos que se pensava só existirem noutras regiões do país.