sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Cabeço de Ferro de Raposa

Cabeço de Ferro, junto à ribeira de Muge, em Ferrarias, junto a Raposa.


Em tudo idêntico aos dois Montes da Borra de Ferro do Paço dos Negros, que segundo informações dos que os transportaram em carroças, no ínicio dos anos 50, para fazer as estradas de Paço dos Negros para Raposa, e para Marianos e a rua do Vale João Viegas, e aos quais se refere a "Comunicações dos Serviços Geológicos de Portugal, Tomo XXVIII: 251", e segundo as dimensões relatadas dos mesmos, e as densidades apresentadas por este minério, seriam umas dez mil toneladas de escórias.

Curiosidades sobre o Paço dos Negros da Ribeira de Muge

Na carta de Pedro Matela, ao Rei, de 22-4-1511, dando conta do estado das obras do Paço, este revela-nos de algum modo, de onde vieram as madeiras, 90 carros, nomeadamnte de castanho de que temos vários documentos, (de Dornes, no Zêzere?), e quem teria sido o carpinteiro: Pedro Anes, nomeado em 1507 «Mestre de carpintaria de todas nossas obras, onde quer que elas estiverem...»

«Outrossim senhor me disseram que viera a essa cidade muita madeira parece-me que será vosso serviço mandar dar para esta obra a que for necessária por que mais brevemente se fará que esperar pela madeira de Dornes que não pode vir tão cedo e se vossa alteza ordenar de a mandar dar haver ser mester cento e noventa carros de madeira de toda sorte vossa alteza me escreva se há por bem de a dar e mandareis logo por ela e se não esperássemos pela de Dornes nos não será tão cedo e assim seja mester tabuado de castanho e se Pedro Anes há-de fazer a obra mande-o logo vossa alteza com a madeira.

trecho da carta cc,1,10,26

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Na senda dos escravos da Ribeira de Muge

Mezinhas para os Escravos do Rei


Trecho da carta, onde Pedro Matela dá ordem a Henrique Nunes: «Pedro Matella cavaleiro da Casa d’el-rei nosso senhor e seu contador na comarca dos escravos desta mui nobre e sempre leal vila de Santarém e da vila de Abrantes, corregedor perpétuo da vila de Almeirim, vos mando a vós Henrique Nunes, almoxarife do almoxarifado desta dita vila de Santarém, que qualquer dinheiro que tiverdes do ano passado de mil quinhentos e vinte e nove, deis e pagueis a Simão Roiz, boticário, os 1210 réis atrás contidos nesta carta de Mestre Luís, os quais 1210 réis foram de mezinhas para os ditos escravos do dito senhor», CC, 2, mac 164, fol.48.


"O recibo"

Senhor contador


O bacharel Mestre Luís, físico dos escravos desta vila, que tenho cargo de curar os escravos del-rei nosso senhor, da Ribeira de Muge, digo que é verdade que eu contei umas mezinhas a Simão Roiz de certas receitas que ele deu de sua botica para os ditos escravos, as quais mezinhas foram mandadas dar por o dito contador e assinadas por ele e por o físico, e ao fazer desta conta foram todos perante ele nos quais se montaram 1210 réis, e para lhe serem pagos lhe dei este por mim assinado e feito em Santarém ao primeiro dia de Agosto de 1530 anos.
Assinatura indecifrada


Eu Simão Roiz boticário digo que é verdade que eu recebi de Henrique Nunes almoxarife estes 1210 réis neste mandado atrás escrito e por ser verdade que os assim recebi assinei este conhecimento por mim feito e assinado. Feito aos 13 dias do mês de Agosto 1530 anos.

Simão Roiz.

sábado, 5 de dezembro de 2009

Prioridades de gente bem pensante

Ontem, 4-12-09, aconteceu mais um acidente grave na via principal de Paço dos Negros. O local é uma curva muito perigosa, que foi feita em séculos passados pelos burros, e depois confirmada pelos homens, que são seres inteligentes.
Podemos ver no mapa, que, pelo ponteado, os limites da propriedade, demarcados em 1815, 27-4, eram em linha recta. No local assinalado, em recta, estava posicionado o 11º marco, RA - REI E ATALAIA.


Um dos 19 marcos (1815)
 
trecho de Mapa de Paço dos Negros


Certo é que hoje em vez de se dar prioridade a melhorar o perfil desta via, que tem várias lombas e curvas, que prejudicam a visibilidade, e já ceifou, em poucos anos, três vidas jovens, e muitos mais acidentes, dá-se prioridade a promessas de rotundas, na terra, que dão nas vistas, mas que nem de longe tem mostrado ser a primeira necessidade.

Hoje, depois das obras de santa engrácia que desde 2005 decorrem na localidade, vê-se aí muita indignação, eu não vejo porquê, se ao passar nas ruas de Paço dos Negros, é uma aventura e ao mesmo tempo uma festa. Com a necessária adaptação, pois o mar é de pó, ou de lama, mas também de água, só me faz recordar um verso que uma velha mulher da terra me cantou há uns anos.

O mar é uma brincadeira


Não custa nada a passar

Até dá gostos à gente

Quando vai a balançar

Lembra-me certas coisinhas

Quando me eu ponho a pensar.


Parabéns pois ao iluminado que conseguiu este feito e este efeito.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Os Escravos da Ribeira de Muge - cont.

Este documento informa-nos de quantos escravos viviam no Paço da Ribeira de
Muge, no ano de 1529. Que além dos escravos vivia ali um negro de nome Fernando Frade.

trecho de doc, CC, 1, mac 43, fol.110.


Eu, el-rei, mando a vós almoxarife ou recebedor do almoxarifado de Santarém, que das rendimento dele do ano passado de quinhentos e vinte e oito deis a Luís da Mota, almoxarife dos meus Paços da Ribeira de Muge, seis mil cento e vinte e cinco réis que monta ao acrescentamento que fez aos escravos e suas mulheres e filhos, que estão nos ditos Paços de seu conduto e calçado à razão de um real por dia mais aos homens e mulheres para conduto e de vinte réis por mês a cada um para calçado e aos filhos meio real mais por dia ao que dito e dez réis por mês para calçado os quais tem dezoito escravos homens quatro mulheres e oito filhos, segundo se viu por certidão do contador Pedro Matella e os ditos seis mil cento e vinte e cinco réis se montam de tempo de sete meses e vinte e cinco dias os ordenados do dito ano passado entrando aqui 542 réis que Fernão Frade o dito tempo vence soldo (?) dois mil réis que cada ano lhe acrescentei e não foram no caderno do apontamento nem tiveram pagamento do dito tempo por não apresentarem nos livros da minha fazenda o alvará do dito acrescentamento os quais dias se lhos pagareis posto que não foram no dito caderno e não tendo dinheiro do ano passado pagar-lhe-eis do rendimento do ano presente e por este conhecimento do dito almoxarife lhes serão levados em conta. Manuel da Costa o fez em Lisboa a 18 de Outubro de 1529. Fernão de Álvares o fez escrever

Rei

6.125 réis no almoxarifado de Santarém ao almoxarife dos Paços da Ribeira de Muge que montam no acrescentamento que V.A. fez aos escravos que estão nos ditos Paços e a suas mulheres e filhos como acima hei declarado dareis de 7 meses e 25 dias do ano passado e que se paguem posto que não foram no caderno e não tendo dinheiro do ano passado lhe pague deste.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Arqueologia científica e arqueologia manhosa

No traslado da carta escritura do Paço da Ribeira de Muge, de 3 de Maio de 1511, referente aos moinhos existentes, lemos:

Trecho da carta, Conselho da Fazenda, Liv. 136.


«...e da outra parte com os canos da água que vem da fonte que se chamava antigamente do Meichieiro que ora é de El Rei, o qual moinho tem duas pedras com uma casa grande, e defronte ao dito moinho tem mais três casas…»

Estando provado o moinho referenciado ser o antigo moinho do Paço, que aparece bem documentado durante vários séculos, que se situava, até recentemente, junto ao Monte da Borra de Ferro, serão estas três casas as casas a que se refere a Comunicações dos Serviços Geológicos de Portugal, Tomo XXVIII: 251, publicação de 1947, uma oficina? onde se teriam fundido os «deux monticules constitués par des scories de fondition, probablement contemporains du chateau?


Foto ruínas: de ferraria? - a cem metros do paço




Ruínas - idem





Ou serão antes, as casas pertencentes às ruínas que se vêm por debaixo do Paço quinhentista, a construir nesse ano?





Realmente está este espaço, do Paço e da Cerca, a precisar de trabalhos de um profundo estudo arqueológico, um trabalho de arqueologia que respeite a ciência, que parta das evidências concretas no terreno, e não numa pretensa pesquisa aleatória, fugindo das evidências como o diabo da cruz, que se presta a ser acusada de servir interesses obscuros, contrários à finalidade da ciência. Que foi o que aconteceu com as pesquisas recentemente efectuadas. Ciência e cientistas foram utilizados para provarem o que se pretendia, que era não haver interesse histórico/arqueológico no local. Assim, uns dizem ter tratado bem a ciência, os outros foram servidos com o resultado que manhosamente pretendiam. Ambos estão de parabéns. Desgraçadamente. Parabéns pois.

foto de o Mirante de 7-3-07




Pesquisa efectuada em descampado, a 30 metros do sítio cujas evidências são óbvias, local de ciência certa e resultados à medida da encomenda.

Ainda a Rainha D. Catarina e o almoxarife Estêvão Peixoto






CC, 1, mac 87, fol.83

6.000 réis de mercê ao almoxarife dos Paços da Serra em 552 Estêvão Peixoto


Contadores da minha casa mandamos que leveis em conta e despesa por este somente sem mais outro mandado nem consentimento a Álvaro Lopes meu tesoureiro seis mil réis que por meu mandado deu a Estêvão Peixoto almoxarife dos Paços da Serra a que deles fez mercê e este não passará pela chancelaria.. António d’Aguiar o fez em Almeirim a 6 dias de Fevereiro de mil 5 e 52. Pêro Fernandes o fez escrever.
A Rainha


Para os contadores que levem em conta e despesa por este somente autorizado 6.000 réis que por mandado de vossa Alteza deu a Estêvão Peixoto almoxarife dos Paços da Serra a que deles fez mercê e este não passará pela chancelaria.

Ribeira de Muge em Paço dos Negros